Não senti necessidade de fazer tal proposta. Veja aqui
http://www.opera10.com.br/2015/08/redacao-proposta-2015-enemlab3-obesidade.html?view=flipcard
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Tema: a a iniciação sexual dos adolescentes e as DSTS
TEXTO 1
O número de adolescentes brasileiros que iniciam a vida sexual
entre 13 e 15 anos representa 28,7% deste grupo, segundo a Pesquisa Nacional de
Saúde do Escolar (PeNSE) 2012, divulgada no dia 19 de junho pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em relação a 2009, houve uma
queda de quase dois pontos percentuais na quantidade de estudantes do ensino
fundamental entre 13 e 15 anos que já tiveram a primeira experiência sexual.
Naquele ano, o índice era de 30,5%.
Essa
pequena queda pode ser por consequência de um trabalho sobre sexualidade com os
jovens, principalmente nas escolas. “É difícil evitar o início da vida sexual
precoce. Mas os adolescentes que conversam mais em casa e na escola e que têm
informação, tendem a começar mais tarde do que aqueles que estão desamparados,
que não têm família que os apoiam, que não estão na escola e que têm uma
condição socioeconômica mais precária”, afirmou o psiquiatra e sexólogo Jairo
Bouer, que proferiu palestra recentemente em Uberlândia.
Para
ele, a cultura brasileira é um dos principais fatores que influenciam o início
da vida sexual mais cedo. “A cultura do Brasil, a exposição do corpo e os
veículos de comunicação estimulam a precocidade sexual. A grande quantidade de
informação a que eles têm acesso, principalmente pela internet, também
contribui para um início mais cedo da vida sexual”, disse o psiquiatra.
Gêneros
A
pesquisa PeNSE 2012 apontou que a iniciação sexual dos adolescentes do sexo
masculino é mais precoce do que do gênero feminino. Cerca de 40% dos meninos
entre 13 e 15 anos já tiveram relação sexual, enquanto entre as meninas da
mesma idade a taxa é de 18,3%. “Metade dos meninos e um terço das meninas já
teve uma relação sexual completa aos 15 anos. As meninas começam a desenvolver
o físico mais cedo, mas a cultura brasileira e o machismo influenciam o início
sexual mais precoce entre os meninos”, afirmou Bouer.
O
estudante Guilherme, que não revelou o sobrenome, de 15 anos, teve a primeira
relação sexual há quatro meses e a maior influência foram os amigos. “Eles me
criticavam porque todos já tinham tido uma experiência sexual e eu ainda não.
Então, no carnaval a gente foi para uma festa em outra cidade, o pessoal alugou
uma casa lá, fiquei com uma menina e aconteceu”, disse.
Segundo
o adolescente, os pais dele ainda não sabem que ele já iniciou a vida sexual.
“A gente não tem um diálogo tão aberto sobre esse assunto. Acho que eu ficaria
muito constrangido em contar.”
Sexo é abordado nas salas de aula
Cerca
de 30% dos alunos entre 13 e 15 anos do 9º ano do ensino fundamental de escolas
públicas e 18,2% dos estudantes da mesma idade e série de escolas particulares
já iniciaram a vida sexual, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar
(PeNSE) 2012. Para o psiquiatra e sexólogo Jairo Bouer, a sexualidade deve ser
trabalhada com os jovens a partir dos 10 anos, tanto na escola quanto em casa.
“Ao
invés de propor um programa fechado, é preciso ouvir o que eles querem saber e
discutir com eles a forma como isso pode ser feito. É preciso falar de emoção,
relacionamento, pressão e machismo, além de anatomia, fisiologia. São todos
fatores que influenciam na decisão”, disse Bouer.
A
professora de Ciências e Biologia Carmen Lucy Mendes trabalha há 10 anos a
temática da sexualidade com alunos 13 e 14 anos do 9º ano em uma escola
particular de Uberlândia. Para ela, o mais importante é conquistar a confiança
dos estudantes. “Se eles não sentirem segurança, eles não conversam abertamente
e vão continuar com dúvidas. O que a gente fala, fica na sala de aula. Sem
julgamento e sem preconceito. Para eles é mais seguro tratar desse assunto na
escola do que eles procurarem na internet, por exemplo”, afirmou Carmen Mendes.
Em
2013, a professora de ciências Ana Cláudia Resende começou um projeto de
afetividade e sexualidade para estudantes do 7º ano, entre 12 e 14 anos de
idade, de uma escola municipal. “O tema está inserido no cotidiano dos alunos
em vários âmbitos, inclusive na escola. A princípio, eles caem na gargalhada,
mas agora levam muito a sério. Eles refletem sobre as situações que traziam
angústias e sobre as descobertas”, disse Ana Resende.
Família exerce papel importante
Os
pais de adolescentes também devem trabalhar o tema sexualidade em casa,
conforme defende o psiquiatra e sexólogo Jairo Bouer. “A família que conversa e
a escola que trabalha essa questão dá uma chance de o jovem pensar mais antes
de começar a vida sexual, principalmente sobre as consequências”, disse Bouer.
Para
o comerciante Mario Cunha, que tem um filho de 14 anos e uma filha de 11, é
importante que os pais tenham um diálogo aberto com os filhos sobre a temática.
“Apesar de a gente sempre achar que eles ainda são crianças, que não devem
saber dessas coisas, uma hora ou outra eles vão iniciar a vida sexual e vão
precisar de informações. Então, é melhor que eles tenham orientações corretas
dentro de casa do que aprendam coisas erradas na rua”, afirmou Cunha.
CORREIO
– Apesar da precocidade da iniciação sexual, os jovens estão preparados para
esse tipo de relação?
Jairo
Bouer – A maturidade sexual, do ponto de vista físico e biológico, também está
acontecendo mais cedo. Então, com 15 ou 16 anos eles têm maturação biológica
para o sexo e já estão prontos. Mas o problema não é o corpo e sim a maturidade
psicológica. Tem jovens de 15 anos com uma cabeça super boa e poderia cuidar da
sua vida sexual, mas têm jovens de 18 anos que não tem essa maturidade.
Como
a família deve lidar com esse assunto?
Devem
deixar a porta aberta para o diálogo. A família que conversa e a escola que
trabalha essa questão dá uma chance de jovem pensar mais antes de começar a
vida sexual. É preciso ouvir o que eles querem saber e discutir com eles a
forma como isso pode ser feito. A medida que as demandas forem aparecendo os
pais devem tentar responder.
Os
jovens têm vergonha de conversar com os pais e os pais também têm um certo
receito de falar sobre sexo com os filhos. Que metodologia os pais devem usar
para abordar esse assunto em casa?
Gosto
muito de aproveitar o que está acontecendo em casa, os gatilhos. Aconteceu
alguma coisa na novela, com o primo, na vizinhança, ou na escola, usar aquilo
como um disparador de conversa para ficar mais natural. E deixar a porta
aberta. Não forçar a barra. Se vê que o filho vai ficar constrangido, não força.
Espera a demanda deles, mas demonstre que você está aberto para conversas sobre
esse assunto. http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/sexualidade-precoce-atinge-287-dos-adolescentes-de-13-a-15-anos/
TEXTO 2
A adolescência é uma
fase com muitas transformações biológicas, psicológicas e sociais. É o
momento de buscar identidade, autonomia, independência, vocação, etc. É um
período de maior risco para determinados infortúnios. O início da atividade
sexual, muitas vezes sem a orientação adequada, pode ter consequências
indesejáveis, como a gravidez não planejada e doenças sexualmente
transmissíveis (DST). Apesar do acesso a informações e a métodos
preventivos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os
adolescentes parecem não estar seguindo as orientações. Em 2010, um estudo
realizado no serviço de Ginecologia da Infância e Adolescência da Escola
Bahiana de Medicina e Saúde Pública mostrou que 20% de meninas com idades
entre 14 e 19 anos da Instituição apresentavam alguma DST. Os
estímulos para aguçar a sexualidade estão cada vez mais presentes no dia a dia.
São letras de músicas, danças, programas de televisão. Por outro lado, os
afazeres cotidianos fazem com que os pais tenham cada vez menos tempo para
conversar com os seus filhos, o que prejudica a educação destes. O tema
sexualidade fica então a cargo da escola ou dos amigos, quando deveria começar
em casa, ser complementada pela escola e por profissionais de saúde
capacitados para essa tarefa. Quanto mais próximos estiverem pais e
filhos, menores serão os riscos de informações errôneas, além de sempre
ser possível a transmissão de alguma experiência positiva para os mais
jovens. Nas escolas, os programas educativos sobre sexualidade geralmente abordam
o tema de forma mais genérica, além de ser insuficiente o espaço para tirar
dúvidas. O importante é que as dúvidas sejam sempre esclarecidas, sem
moralismo, e se possível, também sob a orientação médica. http://www.sogia.com.br/dst-na-adolescencia/
TEXTO 3
A forma como a sociedade vem lutando há anos contra a epidemia da Aids é um indicador de como o
enfrentamento e a superação de preconceitos são determinantes para o
estabelecimento de práticas de promoção de bem-estar coletivo.
Desde que surgiu, a Aids forçou um olhar atento e sensível para questões
que eram tratadas com desdém: homossexualidade, sexo livre, prostituição.
Obrigou a um debate aberto e franco sobre iniciação sexual, sexo fora do casamento,
uso de camisinha, consumo de drogas. E ainda disseminou um conjunto de saberes
que nos tornaram mais conscientes de como cada pessoa podia e ainda pode
contribuir para a transformação de um quadro que inicialmente se mostrou
terrível e assustador.
Apesar de o índice de mortalidade ainda exigir atenção, os tratamentos desenvolvidos inseriram a Aids no quadro das doenças crônicas com as quais se pode conviver desfrutando de certa qualidade de vida e de uma longevidade que antes parecia impossível. Basta lembrar que por um bom tempo na primeira fase da epidemia, o diagnóstico da Aids era signo de sentença morte.
Todas as conquistas realizadas no tratamento da doença só foram
possíveis porque parte importante da sociedade aceitou a difícil tarefa de compartilhar
conhecimentos e dialogar opções para conter a propagação do vírus e controlar
seus efeitos.
Pelas características próprias de sua disseminação, muitas questões de
natureza moral se impuseram, oferecendo resistências e exigindo um
redimensionamento de valores. Nesse sentido, a experiência de enfrentamento da
AIDS é uma marca de por que o ser humano ainda está aqui e de por que, sendo
tão frágil em um ambiente hostil, tem ganho de tempos em tempos o direito de
seguir adiante.
Todo esse movimento talvez tenha contribuído para a sensação que muitos
vêm experimentando de que a prevenção já não exige tantos cuidados. No entanto,
o aumento expressivo de casos de Aids, que se verificou recentemente entre os
jovens de 15 a 24 anos, acendeu uma luz vermelha e nos obriga a colocar esse
tema novamente no centro de nossas atenções.
Apesar de todos os avanços, a Aids continua sendo uma doença grave, não
tem cura, e só no Brasil mata 11 mil pessoas por ano. Quem hoje a adquire vai
precisar inevitavelmente tomar remédios pelo resto da vida e conviver com seus
efeitos colaterais. Os jovens, que neste momento compõem um grupo de risco
importante, precisam tomar consciência dessa circunstância e estabelecer formas
eficazes de evitar a contaminação.
É fato que hoje nos encontramos numa situação muito melhor: sabemos como
evitar a contaminação pelo vírus da Aids e, quando contaminados, isso já não é
mais imposição de morte certa. Entender como isso se tornou possível nos faz
lembrar que somos seres históricos e nos obriga a atuar como tal: não devemos
nos expor ao risco de andar para trás.
A sequência de atividades a seguir tem a intenção de levar o estudante a
compreender como o vírus da AIDS se tornou, em determinada época, objeto de
medo para grande parte da população e como a ação articulada de pessoas e
instituições pôde, com o passar do tempo, desconstruir esse sentido. Numa outra
dimensão, convidar o estudante a uma atitude de protagonismo, por meio de ações
que promovam a conscientização de um problema que ainda está longe de ser
superado.
José Carlos de Souza é professor de pós-graduação
do curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruzhttp://www.cartaeducacao.com.br/aulas/medio/em-tempos-de-aids/
terça-feira, 13 de outubro de 2015
FAÇA A SINOPSE DO LIVRO CAPITÃES DE AREI
LEIA A DEFINIÇÃO DO TERMO, O EXEMPLO. DEPOIS FAÇA A SINOPSE DO LIVRO 'CAPITÃES DE AREIA'
o que é Sinopse:
Sinopse é um resumo, uma síntese de uma obra literária, científica e etc. A sinopse é também chamada de sumário, pois é também uma versão mais curta de um texto original, não necessariamente um resumo.
O objetivo da sinopse é fazer com que o leitor entenda os pontos principais do texto original, e pode ser lido a sinopse de um livro, filme ou evento, e ele é essencial para fazer com que os indivíduos se interessem ou não pelo resto da obra, é uma espécie de chamariz.
Geralmente, a sinopse começa com o título, traz também o nome do autor, tipo de texto e a idéia principal do texto, a sinopse é diferente de uma resenha, por exemplo, pois ela não contém a interpretação e nem opinião da pessoa que escreveu, é formada apenas com a opinião do verdadeiro escritor, muitas vezes parafraseadas.SINOPSE DO FILME AVATAR
''A história começa na Terra: Jake Sully (Sam Worthington) é um soldado que perdeu os movimentos, mas mesmo com essa deficiência aceitou o convite para trabalhar em exploração de minas no Planeta Pandora. Pandora é um local exuberante e hostil. O ar é fatal para os humanos. Existem plantas e criaturas predadoras e perigosas. Os nativos são humanóides azuis com mais de três metros, os Na´vi. Essas adversidades impedem que os exércitos tradicionais tenham sucesso na proteção das minas. Um programa de clones denominado AVATAR, que combina o DNA de humanos e de Na’vi foi criado. O resultado é o clone de um Na’vi que pode preservar a percepção de um humano. O irmão de Jake Sully foi o doador original e controlador de um desses avatares. Mas ele foi morto e a corporação responsável pelo projeto chama Jake para ir a Pandora pilotar o tal corpo,já que ele tem o DNA que combina. Em troca, ele poderá andar novamente. Essa parte do enredo do filme AVATAR que está construído sobre o significado de dois termos essenciais para a história: Pandora e AVATAR''.
Faça uma resenha. Sobre família, filosofia e o sentido da vida
Faça uma resenha da entrevista com Luc Ferry
Sobre família, filosofia e o sentido da vida
LUC FERRY - entrevista
Para o filósofo Luc Ferry, se ficamos tão chocados com casos como o da menina Isabella, é porque amar a família é uma novidade radical na nossa história
Rita Loiola
O filósofo Luc Ferry é o oposto do que geralmente se associa a um intelectual francês. Seus livros são fáceis de ler – estão sempre na lista dos 10 mais vendidos na França. Os títulos lembram a auto-ajuda (Aprender a Viver, O Que É uma Vida Bem-Sucedida ou Famílias, Amo Vocês), mas tratam apenas de questões-chave da história da filosofia. “Minha questão é saber como o ser humano pode viver melhor, e isso só a filosofia é capaz de responder”, diz. Além de escrever best sellers, Luc Ferry milita na direita francesa, ao contrário de muitos dos seus colegas intelectuais. Membro do atual governo do presidente Nicolas Sarkozy, ele era ministro da Educação em 2004, quando a França criou polêmica ao proibir que as crianças usassem símbolos religiosos na escola – lei que afetou sobretudo jovens muçulmanas que usavam véu. Ele também não é um intelectual pessimista, mas um entusiasta da maneira de viver e pensar do Ocidente. Se o Brasil e o mundo ficam escandalizados com a morte da menina Isabella ou o caso do austríaco que praticou incesto com a filha durante 28 anos, Ferry diz que nunca amamos tanto nossa família. Numa tarde quente de primavera em Paris, o filósofo explicou por que o amor à família é a novidade na história que define o mundo de hoje.
No livro Famílias, Amo Vocês, lançado este mês no Brasil, você diz que os pais nunca amaram tanto os filhos. No entanto, estamos todos chocados com o caso de uma menina que foi jogada pela janela do 6º andar. E, na Áustria, veio à tona um caso de incesto que durou 28 anos. Esses episódios não o contradizem?
Não. Já ouvi falar dezenas de vezes desse caso da garota Isabella, e estamos todos chocados, tanto quanto com o caso de incesto da Áustria. O importante é que, hoje, esses episódios deixam a maior parte da população escandalizada. Analisando historicamente, percebemos que nem sempre as pessoas ficaram chocadas com histórias como essas. Até o século 18, antes do nascimento da família moderna, cerca de 30% das crianças eram abandonadas. No norte da França, as mortes chegavam a 90% no primeiro ano de vida. Na Idade Média, a morte de uma criança era menos importante que a perda de um cavalo. Existiam diferenças em relação ao primogênito, mas, em geral, as crianças simplesmente eram abandonadas para morrer. A situação mudou completamente. E, no futuro, a família deve se tornar ainda mais importante.
Por quê?
Porque o ser humano é uma das últimas coisas sagradas hoje em dia. Na história, o sagrado (aquilo pelo qual somos capazes de arriscar nossa vida) mudou muito. Os europeus já morreram por 3 grandes motivos: Deus, a pátria e a revolução. Nos últimos séculos, houve mortes maciças em guerras de religião, nacionalistas e guerras revolucionárias. Esses motivos desapareceram. Os jovens ocidentais de hoje não são capazes de morrer nem pela pátria, nem por Deus, nem pela revolução. Acabou.
Mas ainda existe quem morreria por um ideal, como os homens-bomba ou os terroristas bascos. Não?
Existem os extremismos políticos, mas acredito que, entre os ocidentais, nem mesmo os 5% de extrema direita ou esquerda morreriam por um ideal. No entanto, os únicos seres pelos quais seríamos capazes de arriscar nossa vida são os outros seres humanos – nossos filhos, nossos amigos ou mesmo pessoas que passam por situações graves de miséria, como os famintos da África e os movimentos humanitários que tentam salvá-los. O sagrado não desapareceu, ele só mudou de lugar e se encarnou na humanidade. Passamos da transcendência vertical – Deus, pátria, as grandes utopias – para a transcendência horizontal – os homens. Na minha opinião, trata-se de uma grande mudança. É uma maravilha não morrer por motivos estúpidos, e sim para salvar outros seres humanos. Muita gente acha que o fim das utopias é uma tragédia. Para mim, é uma coisa formidável.
Como o fim dos ideais influencia a política hoje?
No Ocidente, faz com que a política, em vez de ser um fim em si mesma, seja um auxílio para a vida privada. Hoje em dia, as pessoas pedem que nós, políticos, sejamos um instrumento do desenvolvimento da família. Não trabalhamos a serviço da glória do país ou da revolução, mas a serviço dos cidadãos. É uma mudança de foco imensa. Com ela, surgem problemas novos, como a preocupação com as gerações futuras. Vem daí o interesse pela ecologia e também pela dívida pública – questões para resolvermos a longo prazo. Temos que dar conta desses problemas não para contribuir para a grandeza do país, mas porque não queremos deixar um mundo pior para nossos filhos.
Essa preocupação com a família é um dos aspectos do que você chama de “novo humanismo” do mundo moderno ou “sabedoria do amor”?
Exatamente. O mundo de hoje é marcado por relações amorosas que têm uma origem muito recente. Antes do capitalismo, as pessoas se casavam à força e nunca por amor. O casamento tinha duas funções: manter a linhagem familiar e tocar a vida rural – fazer a roça, construir cercas para os animais, preparar a comida e até fazer as próprias roupas. Com o capitalismo, surge o povo assalariado e o mercado de trabalho. As mulheres saem da roça para trabalhar nas cidades, vão ser operárias, domésticas em casas burguesas e se descobrem como indivíduos. Largam a bolha em que viviam e descobrem duas liberdades: o anonimato – ninguém mais as vigia – e o salário, um pouco de dinheiro que significa a autonomia material. Coloque-se no lugar dessa moça que escapa do olhar da família e do padre da vila: é uma liberdade formidável! Essa mulher passa a se recusar a ser casada à força. Ela vai querer “se” casar – e com alguém de quem ela goste. Surge assim o casamento por amor, e desse casamento vem o amor pelos filhos e depois a sacralização das pessoas. Foi assim que o amor familiar virou um grande traço que nos define hoje em dia.
Então é o amor que dá sentido à vida hoje?
Sim. O amor é uma das poucas coisas absolutas, indiscutíveis hoje em dia. E a única coisa capaz de dar sentido à vida é o absoluto. Antigamente, o valor absoluto era uma coisa transcendente, ou seja, superior a nós, como Deus e a eternidade. O valor absoluto caía do céu. Mas agora ele está em nós, o que eu chamo de uma “transcendência na imanência”. É mais ou menos como quando alguém se apaixona: ele descobre a transcendência do outro, mas consciente de que o sentimento foi criado dentro de si. A verdade não é mais descoberta hoje sob argumentos autoritários, superiores, mas na sua parte mais íntima – o coração.
Alguns psicólogos dizem que estamos obcecados pela felicidade e pela realização pessoal. Essa busca por felicidade do mundo moderno pode nos levar a mais decontentamento?
Bem, você gostaria de voltar aos séculos passados onde essa felicidade não existia? Se não gostaria, é preciso aceitar que a vida moderna, democrática e livre tem um custo, que é fazer e até mesmo inventar a vida sozinho, arranjar um sentido para a própria vida. Certamente não devemos pensar que a vida deve ser sempre feliz e despreocupada. Pessoas que tentam viver como se a vida pudesse ter nenhum sofrimento lembram um animal – digamos, um coelho – que vive sem imaginar que há um caçador por perto para estragar a festa. Kant, o filósofo alemão, diz que se a Providência quisesse que fôssemos felizes não teria nos dado a inteligência. Nunca conseguiremos ter uma vida totalmente despreocupada. O ser humano tem problemas, tem medos que o fazem diferente de um coelho que brinca inocentemente.
Os títulos de seus últimos livros parecem tirados de manuais de auto-ajuda, mas falam somente sobre questões filosóficas cruciais. A filosofia pode nos ajudar a viver melhor?
Sim. Quando a filosofia surgiu, na Grécia, era uma “aprendizagem sobre a vida”, e não um discurso chato, como hoje. Naquela época, as escolas de filosofia passavam como lição de casa exercícios para os alunos viverem melhor e mais livres. Por isso, um dos meus livros têm o título Aprender a Viver, que é uma frase de Sêneca, o filósofo estóico grego. Só depois da vitória do cristianismo sobre a cultura grega que a filosofia vira questão religiosa e acadêmica. Quando a religião cristã se sobrepõe à filosofia, principalmente a partir da Idade Média, e toma para si a questão da “aprendizagem da vida” ou do “saber viver”, a filosofia fica esvaziada de seu objetivo principal e se transforma em um estudo abstrato e puramente teórico. Apesar de a vida na Grécia e no século 21 serem bem diferentes, os problemas do ser humano são parecidos. Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior.
Mas atualmente ajudar a viver melhor não é papel da psicologia?
O projeto da filosofia e da psicologia é igual – salvar o ser humano dos seus medos. Mas os caminhos são bem diferentes. Acho que a psicologia nos diz “como” e a filosofia responde “por que”. A psicologia acalma e a filosofia mostra o sentido.
A escola e a religião
Na breve passagem de Luc Ferry pela política,como ministro da Educação, entre 2002 e 2004, seu ato mais polêmico foi proibir que os alunos usassem símbolos religiosos nas escolas. A lei valia para todas as religiões, mas provocou a ira de muçulmanos residentes na França que obrigam as filhas a usar lenços na cabeça. Os críticos afirmaram que a “lei do véu” era um atentado à livre expressão religiosa. Já quem apoiou a proibição a considerou uma proteção aos direitos humanos do Ocidente. Para Luc Ferry, o fato por trás da polêmica do véu é a ausência de deveres na sociedade. “O homem de hoje está convencido de que tem muitos direitos, mas é inconsciente de seus deveres. Isso fica bem visível no sistema educacional. Se a escola é laica, não há por que utilizar símbolos religiosos ostensivos”, diz ele. Mas o Estado laico não permite liberdade religiosa? Ferry prefere fugir dessa pergunta e explicar o conflito de etnias da França. “Temos em nosso território a comunidade muçulmana mais importante da Europa e o 3º maior grupo judeu do mundo (depois de Israel e dos EUA). Depois da 2ª Intifada, em 2001, as crianças das duas comunidades começaram a brigar. Houve, entre 2001 e 2004, um aumento de 200% de ações anti-semitas na França. O governo decidiu, então, proibir não os símbolos religiosos discretos, mas os agressivos, militantes”, diz ele.
Luc Ferry
• Tem 57 anos e 3 filhos.
• Preside o Conselho de Análises da Sociedade, órgão ligado à Presidência da França.
• Gosta de jogar tênis e viajar. No ano passado, visitou o Brasil e ficou fascinado pela cidade de Salvador (BA).• Seu escritório se destaca pela bagunça: a mesa do computador e a da sala de reuniões são repletas de livros e folhas espalhadas.
Fonte: http://dimitriganzelevitch.blogspot.com.br/2015/09/entrevista-com-luc-ferry.html
Imagem da Internet
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Iracema é um livro escrito por José de Alencar no período literário chamado Romantismo. Iracema é uma índia jovem que está prometida à Tupã, Deus máximo dos índios . Ela guarda o segredo da Jurema, uma bebida verde extraída de uma planta. Iracema se apaixona por Martim, português que vem à América em expedição. Ambos estão prometidos, mas entregam-se um ao outro. Fogem da aldeia de Iracema com a ajuda de Poti, índio da tribo inimiga, porém amiga de Martim. Poti e Martim enfrentam a tribo inimiga juntos e Iracema os espera só. Iracema fica completamente triste com a saída de Martim e em meio essa solidão, ela descobre estar grávida. Ela tem seu bebê e o alimenta e o protege sem Martim, que ainda não retornou. Ela chama sua criança de Moacir, que significa filho da dor. Iracema sente-se em profunda depressão. Quando Martim retorna, ela entrega Moacir a ele e morre. Martim retorna à sua terra e casa-se com sua noiva portuguesa. Iracema é um anagrama, pois se enbalhararmos as letras, podemos ler América.
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REPARE A DIFERENÇA ENTRE SINOPSE E RESENHA CRÍTICA
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Como se faz uma resenha?
É importante saber que não há fórmulas mágicas, macetes ou receitas prontas sobre como fazer uma resenha. Como todos os outros tipos de texto, é alguma coisa que aprendemos por experiência e erro, treinando, fazendo. Serão muitos exercícios de resenha até você poder produzir boas resenhas, e o importante é não desanimar nesse trajeto. Para aqueles que, apesar de tudo o que viram, ainda não sabem por onde começar, seguem algumas dicas para uma resenha descritiva:
1) Leia o texto que serve de ponto de partida para a resenha. É o primeiro passo e o fundamental. A qualidade da sua resenha depende, em grande medida, da qualidade da leitura que você fizer desse texto. Se necessário, leia mais de uma vez.
2) Faça um resumo do texto. Selecione as idéias principais do autor do texto e monte um outro texto, seu. Mas cuidado: resumo não é cópia de alguns trechos do texto, com as palavras do autor. Resumo é um outro texto, um texto seu, em que você diz o que entendeu do texto, e quais são as idéias principais do autor. Se você não sabe ainda como resumir um texto, pense em como você o apresentaria para alguém que estivesse acabando de chegar em sala e lhe perguntasse: Sobre o que é esse texto que você está lendo? Outra estratégia interessante é ler o texto em um dia e tentar resumi-lo alguns dias depois. As idéias de que você conseguir lembrar serão seguramente as principais idéias do autor. Se você não conseguir lembrar de nada a respeito do texto, você não o entendeu. Volte ao texto e o leia novamente.
3) Eleja uma entre as principais idéias do texto. Todo texto contém várias idéias, que estão postas em uma hierarquia. Há idéias principais e há idéias secundárias, periféricas. Eleja uma idéia principal.
4) Analise a idéia escolhida. Procure traçar quais são os seus pressupostos, o que o autor pressupõe para formular essa idéia. Procure traçar também as suas implicações, as conseqüências que se pode retirar dessa idéia. Verifique quais as relações que a idéia estabelece no texto, com quais outras idéias ela dialoga.
5) Emita um julgamento de verdade a respeito dessa idéia. Ela é verdadeira ou não? Se é verdadeira, por quê? Se é falsa, por quê? Procure responder a essas perguntas com outros argumentos que não os usados pelo autor do texto. Por exemplo, se o autor diz que "ninguém é normal" e usa como argumento a colocação de que "o conceito de "normal" é muito relativo", não responda que essa idéia é verdadeira porque "o conceito de normal é muito relativo"; você estaria apenas repetindo o autor do texto. É crucial que o julgamento seja "seu", e não uma mera reprodução do que o autor pensa. Olhe para a maneira como o autor usa os conceitos, procure definir o que significa "relativo" para o autor e, aí sim, decida.
6) Faça tudo isso antes de começar a redigir o texto. Use um rascunho, se necessário. Apenas depois de resolvidos os passos de 1 a 5 é que você estará pronto para escrever o texto, e decidir sobre a sua organização. Não há ordem predeterminada: você pode começar o texto pela sua conclusão, e depois explicá-la para o leitor (através da análise) e terminar por uma apreciação mais genérica do texto (o resumo); ou você pode começar pelo resumo, passar à análise e, em seguida, ao julgamento; ou você pode misturar as três coisas. É você que decide. O importante é que seu texto tenha organização, e unidade. Enfim, que não seja apenas um amontoado de parágrafos sobre o texto que está sendo resenhado.
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REPARE A DIFERENÇA ENTRE SINOPSE E RESENHA CRÍTICA
Resenha Crítica Do Filme: O Náufrago
Resenha Crítica Do Filme: O Náufrago
Título original: (Cast Away)
Lançamento: 2000 (EUA)
Direção: Robert Zemeckis
Atores: Tom Hanks, Helen Hunt, Christopher Noth, Nick Searcy.
Duração: 143 min
Gênero: Drama/Aventura
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation / UIP
Figurino: Joanna Johnston
Sinopse
Chuck Noland é um engenheiro de sistemas do FedEx, cuja vida pessoal e profissional são controladas pelo relógio. Seu trabalho o leva de um instante para o outro, para locais bem distantes e longe de sua namorada, Kelly. Essa fase da vida de Chuck termina quando, depois de um acidente de avião, ele fica isolado numa ilha, tornando-se um náufrago no ambiente mais desolado que se possa imaginar. Sem as conveniências da vida diária, primeiro ele tem que encontrar meios de suprir as necessidades básicas para a sua sobrevivência, incluindo água, comida e abrigo.
Chuck começa sua verdadeira viagem ao enfrentar a provação emocional do isolamento. Após quatro anos, Chuck volta para a civilização como um homem profundamente mudado. Ele percebe que perder tudo o que tinha e o que achava que era importante, foi a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido.
Resenha Critica
O filme O Náufrago retrata a história de Chuck Noland, um executivo que se encontra no último estágio da evolução social no que se refere a pirâmide das necessidades de Maslow, onde o mais importante para ele era obter melhores resultados na qualidade e agilidade de suas entregas. Devido a um acidente aéreo em que viajava a trabalho, é levado a buscar meios de sobrevivência em uma ilha isolada da civilização.
Ao chegar à ilha Chuck Noland escreveu na areia um pedido de socorro e mantinha sempre com ele a foto de sua noiva, pois era ela a sua única motivação para continuar lutando por sua sobrevivência. Ao perceber que estava sozinho e não havia ninguém que pudesse ajudá-lo, sentiu medo quando ouviu ruídos, mas logo descobriu que eram cocos caindo. Diante disto, Chuck começou a buscar satisfazer suas necessidades fisiológicas....
Lançamento: 2000 (EUA)
Direção: Robert Zemeckis
Atores: Tom Hanks, Helen Hunt, Christopher Noth, Nick Searcy.
Duração: 143 min
Gênero: Drama/Aventura
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation / UIP
Figurino: Joanna Johnston
Sinopse
Chuck Noland é um engenheiro de sistemas do FedEx, cuja vida pessoal e profissional são controladas pelo relógio. Seu trabalho o leva de um instante para o outro, para locais bem distantes e longe de sua namorada, Kelly. Essa fase da vida de Chuck termina quando, depois de um acidente de avião, ele fica isolado numa ilha, tornando-se um náufrago no ambiente mais desolado que se possa imaginar. Sem as conveniências da vida diária, primeiro ele tem que encontrar meios de suprir as necessidades básicas para a sua sobrevivência, incluindo água, comida e abrigo.
Chuck começa sua verdadeira viagem ao enfrentar a provação emocional do isolamento. Após quatro anos, Chuck volta para a civilização como um homem profundamente mudado. Ele percebe que perder tudo o que tinha e o que achava que era importante, foi a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido.
Resenha Critica
O filme O Náufrago retrata a história de Chuck Noland, um executivo que se encontra no último estágio da evolução social no que se refere a pirâmide das necessidades de Maslow, onde o mais importante para ele era obter melhores resultados na qualidade e agilidade de suas entregas. Devido a um acidente aéreo em que viajava a trabalho, é levado a buscar meios de sobrevivência em uma ilha isolada da civilização.
Ao chegar à ilha Chuck Noland escreveu na areia um pedido de socorro e mantinha sempre com ele a foto de sua noiva, pois era ela a sua única motivação para continuar lutando por sua sobrevivência. Ao perceber que estava sozinho e não havia ninguém que pudesse ajudá-lo, sentiu medo quando ouviu ruídos, mas logo descobriu que eram cocos caindo. Diante disto, Chuck começou a buscar satisfazer suas necessidades fisiológicas....
As redes sociais informam ou deformam os fatos?
Na boca de um mentiroso, verdades são mentiras
Não é o homem que faz a palavra, mas é a palavra que faz o homem...
Um Jovem Pastor de ovelhas, encarregado que fora de tomar conta de um rebanho perto de um vilarejo, por três ou quatro vezes, fez com que os moradores e donos dos animais, viessem correndo apavorados ao local do pasto, sempre motivados pelos seus desesperados gritos: "Lobo! Lobo!".
E quando eles se aproximavam do local do pastoreio, imaginando que o jovem estava em apuros com o Lobo, lá estava ele sempre a zombar do pavor que todos estavam sentindo.
O Lobo, entretanto, por fim, de fato se aproximou do rebanho. Então, o jovem pastor, agora realmente apavorado, tomado pelo terror e aflição, gritava desesperado: "Por Favor, venham me ajudar; o Lobo está matando todo o rebanho!".
Mas, dessa vez seus gritos foram em vão, e ninguém mais deu ouvidos aos seus apelos.
Moral da História:
Ninguém acredita em um mentiroso, mesmo quando ele fala a verdade...
Redes sociais, terror e nossos filtros de conhecimento
por HENRIQUE SUBI em 6/mar/2015 • 23:347 Comentários
as redes sociais informam ou deformam os fatos?
O Facebook, por exemplo, parece um jornal: basta abri-lo a qualquer hora do dia para ler tudo aquilo que seus amigos recomendam – obviamente delimitado pelas opiniões pessoais, políticas, jurídicas, religiosas e morais de cada um. A ideia em si é fantástica: a informação circula de forma cada vez mais rápida e fácil, trazendo cultura e conhecimento a todos. Será?
O mesmo estamos acompanhando pelo WhatsApp: grupos de discussão compartilham textos e áudios que receberam de outros grupos com informações aparentemente relevantes/preocupantes/interessantes. Mas de quem veio essa informação?
Chamam nosso tempo de “sociedade da informação” justamente por isso. Podemos saber de tudo imediatamente. O problema surge quando fatos inventados passam a ter status de notícia. “Na dúvida, eu compartilho”. Quem nunca pensou ou ouviu isso de alguém?
Alguns exemplos:
– um blogueiro, anos atrás, criou a notícia de que o ator Edgar Vivar, que interpretava o Seu Barriga no seriado Chaves, morreu. Milhões de compartilhamentos depois, o próprio ator teve de vir a público provar que estava vivo;
– outro blogueiro lança na rede que existe um aplicativo para “analisar o desempenho” das mulheres, chamado Tubby, para concorrer com o Lulu, que fazia o mesmo em relação aos homens. Virou notícia de grandes jornais e revistas, criou conflitos entre feministas, o Poder Judiciário de um Estado da Federação acolheu uma ação judicial para proibir o download do aplicativo… Que nunca existiu! Ele divulgou toda a brincadeira no seu blog pouco tempo depois de uma “entrevista coletiva” para vários veículos de imprensa que sempre julgamos sérios;
– mais um blogueiro (sempre eles! hehehehe) faz uma montagem e altera o guia de caracteres exibido na entrevista de Suzane Von Richthofen para Gugu Liberato, fazendo constar na foto: “Gugu faz surpresa e reforma a cela de Suzane”. Bombou no Face, acompanhada de textos revoltados de brasileiros patriotas insultando o apresentador – que, obviamente, sequer pensou em fazer isso.
Vocês devem estar pensando: “ok, mas é tudo brincadeira! Que há de mal nisso?”
O mal começa quando os assuntos se tornam um pouco mais sérios. Digo que vivemos hoje, muito mais do que na sociedade da informação, na “sociedade do terror”. As notícias de maior destaque em qualquer meio de comunicação são aquelas ruins. Quanto piores, maior o destaque: Estado Islâmico decapita mais um; trem descarrilha do outro lado do mundo e três morrem; vai acabar a água; vai ter recessão; o Decreto tal vai transformar o Brasil em ditadura comunista (lembram dele? Clique aqui).
Isso estimula os criativos de plantão a espalhar o terror ou o ódio contra outros grupos. Sim, o Estado Islâmico existe, mas precisamos saber de cada morte que eles causam lá longe? Daí surgem “notícias” de que existem membros infiltrados no Brasil. E a dengue? Sempre um problema, todo verão. Alguém cria um áudio alarmista sobre uma “dengue mutante”. Corre todos os usuários de WhatsApp do país. A economia está mal? Muito. Aparece um vídeo de um senhor disfarçado de militar dando detalhes de como a inteligência das Forças Armadas estaria trabalhando para tomar o poder.
De onde viria esse prazer de inventar fatos para espalhar o terror o criar ódio contra outros grupos? Acho que da supressão total de nossos filtros de conhecimento ao longo dos anos. A sociedade brasileira mudou sua “percepção-padrão”. Antigamente, quando um amigo de verdade, de carne e osso, nos contava pessoalmente um fato curioso ou polêmico, dizíamos: “ah, duvido!”. Hoje, quando um desconhecido qualquer posta um texto no Facebook dizendo que obteve tal informação de uma “fonte superconfiável”, dizemos: “nossa! Será que é verdade? Deve ser! Não duvido de mais nada desses políticos! Eles sempre escondem tudo! Vou compartilhar porque o mundo precisa saber aquilo que somente um pequeno blog de um canto da Internet descobriu de uma fonte supersecreta! Afinal, vai que é verdade?!”.
Credulidade ou ceticismo são opções de cada um frente aos fatos da vida. Contudo, melhorar a qualidade de nossos filtros sobre aquilo que lemos, principalmente nas redes sociais, ajudaria a reduzir esse elevado estado de estresse que permeia nosso dia a dia. Só assim podermos usar as redes sociais para nos informar em vez de deformar os fatos para amoldá-los ao nosso gosto.
http://www.naosalvo.com.br/concluido-desafio-aceito-23-tubby-o-app-proibido-que-nunca-existiu/ (aplicativo que nunca existiu)
http://www.kibeloco.com.br/2015/02/28/entrevista-legal/ (montagem com Suzane Von Richthofen)
http://www.e-farsas.com (excelente site que apura verdades e mentiras em fatos que bombam na web)
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
A Paulista deve ser fechada para lazer aos domingos?
Aplausos ao Ministério Público, que rejeitou o resultado da audiência pública realizada no vão livre do Masp em 19 de setembro, a respeito do fechamento da Paulista como "rua de lazer" aos domingos, com a proibição do trânsito de automóveis, táxis e ônibus.
Rua de lazer para quem? Para ciclistas? Não é necessário, a ciclovia já foi inaugurada. Para que precisam das outras faixas?
Lazer para quem corre ou faz caminhada? Não é necessário, as calçadas são suficientemente largas para isso.
Já há ambulantes, legalizados ou não, espalhados pela Paulista, mesmo sem o seu fechamento. Já há comércio de alimentos. Já há músicos de rua. Os jovens passeiam por ela, em patins, skates, bicicletas, sem nenhum problema. A Paulista já é efervescente tal como está.
Há, porém, uma enorme faixa da população que ficaria impossibilitada de desfrutar do lazer na Paulista, caso esse projeto se concretizasse: idosos, indivíduos com visão deficiente ou com dificuldade de locomoção.
Essas pessoas precisam de ônibus, táxis ou de seus automóveis, para chegar aos inúmeros atrativos da Paulista, porque para elas pode ser intransponível a distância entre esses pontos de interesse e as estações de metrô ou as ruas paralelas à avenida.
As últimas administrações de São Paulo deixaram de prestar atenção a esses segmentos da população, permanentemente excluídos da maior parte das políticas de saúde pública, lazer e programas sociais.
Os espaços públicos foram tomados por jovens e grupos radicais que os utilizam como que por exclusividade, rejeitando e afugentando os idosos e deficientes, de forma ostensiva e agressiva. E a recente política de implantação de ciclovias, aparentemente sem suficientes estudos técnicos, parece exigir que todos possuam uma bicicleta e saibam manobrá-la.
E os que dizem "a Paulista vai fechar, mas o metrô vai continuar funcionando" poderiam observar que os trajetos das linhas de ônibus e a quantidade e localização de suas paradas fazem que muitos cidadãos prefiram utilizá-lo em vez do metrô.
Em 18 de agosto, o prefeito Haddad disse, com respeito à Paulista como rua de lazer: "Os estudos técnicos estão completos, mostram que é benéfico para a cidade". Certamente, a cidade de alguns, não a cidade de todos.
Diz a Lei No 10.741/2003, que institui o Estatuto do Idoso: "É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária."
Como os idosos, os deficientes físicos ou visuais têm igual direito à cultura, ao lazer, ao esporte, ao convívio social. Caso lhes seja impedido o acesso aos estabelecimentos na Paulista, esse direito lhes será cerceado, pelo mesmo poder público que deveria assegurá-lo.
Qualquer iniciativa para privilegiar um grupo de cidadãos em detrimento de outro constitui discriminação, exclusão social e privação de direitos. E, não nos esqueçamos de que os idosos, indivíduos com visão deficiente ou dificuldade de locomoção são cidadãos e eleitores.
A Paulista deve continuar como está, um território livre e democrático para todos, durante a semana e também aos domingos. O que a prefeitura deveria fazer é ampliar e descentralizar as opções de lazer para os moradores da periferia, que perdem horas em deslocamento, não só para trabalhar, mas também para usufruir de lazer.
Não há como promover lazer e cultura para uns, e não para outros; e não há direitos humanos se um ou mais segmentos da população se veem excluídos e marginalizados.
LIA ZALSZUPIN, 58, engenheira civil, é vice-presidente da Amacon - Associação dos Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacênciashttp://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/10/1692425-deixem-a-paulista-em-paz.shtml
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