quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tema: a a iniciação sexual dos adolescentes e as DSTS

TEXTO 1
O número de adolescentes brasileiros que iniciam a vida sexual entre 13 e 15 anos representa 28,7% deste grupo, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012, divulgada no dia 19 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em relação a 2009, houve uma queda de quase dois pontos percentuais na quantidade de estudantes do ensino fundamental entre 13 e 15 anos que já tiveram a primeira experiência sexual. Naquele ano, o índice era de 30,5%.
Essa pequena queda pode ser por consequência de um trabalho sobre sexualidade com os jovens, principalmente nas escolas. “É difícil evitar o início da vida sexual precoce. Mas os adolescentes que conversam mais em casa e na escola e que têm informação, tendem a começar mais tarde do que aqueles que estão desamparados, que não têm família que os apoiam, que não estão na escola e que têm uma condição socioeconômica mais precária”, afirmou o psiquiatra e sexólogo Jairo Bouer, que proferiu palestra recentemente em Uberlândia.
Para ele, a cultura brasileira é um dos principais fatores que influenciam o início da vida sexual mais cedo. “A cultura do Brasil, a exposição do corpo e os veículos de comunicação estimulam a precocidade sexual. A grande quantidade de informação a que eles têm acesso, principalmente pela internet, também contribui para um início mais cedo da vida sexual”, disse o psiquiatra.

Gêneros

A pesquisa PeNSE 2012 apontou que a iniciação sexual dos adolescentes do sexo masculino é mais precoce do que do gênero feminino. Cerca de 40% dos meninos entre 13 e 15 anos já tiveram relação sexual, enquanto entre as meninas da mesma idade a taxa é de 18,3%. “Metade dos meninos e um terço das meninas já teve uma relação sexual completa aos 15 anos. As meninas começam a desenvolver o físico mais cedo, mas a cultura brasileira e o machismo influenciam o início sexual mais precoce entre os meninos”, afirmou Bouer.
O estudante Guilherme, que não revelou o sobrenome, de 15 anos, teve a primeira relação sexual há quatro meses e a maior influência foram os amigos. “Eles me criticavam porque todos já tinham tido uma experiência sexual e eu ainda não. Então, no carnaval a gente foi para uma festa em outra cidade, o pessoal alugou uma casa lá, fiquei com uma menina e aconteceu”, disse.
Segundo o adolescente, os pais dele ainda não sabem que ele já iniciou a vida sexual. “A gente não tem um diálogo tão aberto sobre esse assunto. Acho que eu ficaria muito constrangido em contar.”

Sexo é abordado nas salas de aula

Cerca de 30% dos alunos entre 13 e 15 anos do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e 18,2% dos estudantes da mesma idade e série de escolas particulares já iniciaram a vida sexual, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012. Para o psiquiatra e sexólogo Jairo Bouer, a sexualidade deve ser trabalhada com os jovens a partir dos 10 anos, tanto na escola quanto em casa.
“Ao invés de propor um programa fechado, é preciso ouvir o que eles querem saber e discutir com eles a forma como isso pode ser feito. É preciso falar de emoção, relacionamento, pressão e machismo, além de anatomia, fisiologia. São todos fatores que influenciam na decisão”, disse Bouer.
A professora de Ciências e Biologia Carmen Lucy Mendes trabalha há 10 anos a temática da sexualidade com alunos 13 e 14 anos do 9º ano em uma escola particular de Uberlândia. Para ela, o mais importante é conquistar a confiança dos estudantes. “Se eles não sentirem segurança, eles não conversam abertamente e vão continuar com dúvidas. O que a gente fala, fica na sala de aula. Sem julgamento e sem preconceito. Para eles é mais seguro tratar desse assunto na escola do que eles procurarem na internet, por exemplo”, afirmou Carmen Mendes.
Em 2013, a professora de ciências Ana Cláudia Resende começou um projeto de afetividade e sexualidade para estudantes do 7º ano, entre 12 e 14 anos de idade, de uma escola municipal. “O tema está inserido no cotidiano dos alunos em vários âmbitos, inclusive na escola. A princípio, eles caem na gargalhada, mas agora levam muito a sério. Eles refletem sobre as situações que traziam angústias e sobre as descobertas”, disse Ana Resende.

Família exerce papel importante

Os pais de adolescentes também devem trabalhar o tema sexualidade em casa, conforme defende o psiquiatra e sexólogo Jairo Bouer. “A família que conversa e a escola que trabalha essa questão dá uma chance de o jovem pensar mais antes de começar a vida sexual, principalmente sobre as consequências”, disse Bouer.
Para o comerciante Mario Cunha, que tem um filho de 14 anos e uma filha de 11, é importante que os pais tenham um diálogo aberto com os filhos sobre a temática. “Apesar de a gente sempre achar que eles ainda são crianças, que não devem saber dessas coisas, uma hora ou outra eles vão iniciar a vida sexual e vão precisar de informações. Então, é melhor que eles tenham orientações corretas dentro de casa do que aprendam coisas erradas na rua”, afirmou Cunha.
CORREIO – Apesar da precocidade da iniciação sexual, os jovens estão preparados para esse tipo de relação?
Jairo Bouer – A maturidade sexual, do ponto de vista físico e biológico, também está acontecendo mais cedo. Então, com 15 ou 16 anos eles têm maturação biológica para o sexo e já estão prontos. Mas o problema não é o corpo e sim a maturidade psicológica. Tem jovens de 15 anos com uma cabeça super boa e poderia cuidar da sua vida sexual, mas têm jovens de 18 anos que não tem essa maturidade.
 Como a família deve lidar com esse assunto?
Devem deixar a porta aberta para o diálogo. A família que conversa e a escola que trabalha essa questão dá uma chance de jovem pensar mais antes de começar a vida sexual. É preciso ouvir o que eles querem saber e discutir com eles a forma como isso pode ser feito. A medida que as demandas forem aparecendo os pais devem tentar responder.
 Os jovens têm vergonha de conversar com os pais e os pais também têm um certo receito de falar sobre sexo com os filhos. Que metodologia os pais devem usar para abordar esse assunto em casa?
Gosto muito de aproveitar o que está acontecendo em casa, os gatilhos. Aconteceu alguma coisa na novela, com o primo, na vizinhança, ou na escola, usar aquilo como um disparador de conversa para ficar mais natural. E deixar a porta aberta. Não forçar a barra. Se vê que o filho vai ficar constrangido, não força. Espera a demanda deles, mas demonstre que você está aberto para conversas sobre esse assunto. http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/sexualidade-precoce-atinge-287-dos-adolescentes-de-13-a-15-anos/
TEXTO 2
A adolescência é uma fase com muitas transformações biológicas, psicológicas e sociais. É o momento de buscar identidade, autonomia, independência, vocação, etc. É um período de maior risco para determinados infortúnios. O início da atividade sexual, muitas vezes sem a orientação adequada, pode ter consequências indesejáveis, como a gravidez não planejada e doenças sexualmente transmissíveis (DST). Apesar do acesso a informações e a métodos preventivos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os adolescentes parecem não estar seguindo as orientações. Em 2010, um estudo realizado no serviço de Ginecologia da Infância e Adolescência da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública mostrou que 20% de meninas com idades entre 14 e 19 anos da Instituição apresentavam alguma DST. Os estímulos para aguçar a sexualidade estão cada vez mais presentes no dia a dia. São letras de músicas, danças, programas de televisão. Por outro lado, os afazeres cotidianos fazem com que os pais tenham cada vez menos tempo para conversar com os seus filhos, o que prejudica a educação destes. O tema sexualidade fica então a cargo da escola ou dos amigos, quando deveria começar em casa, ser complementada pela escola e por profissionais de saúde capacitados para essa tarefa. Quanto mais próximos estiverem pais e filhos, menores serão os riscos de informações errôneas, além de sempre ser possível a transmissão de alguma experiência positiva para os mais jovens. Nas escolas, os programas educativos sobre sexualidade geralmente abordam o tema de forma mais genérica, além de ser insuficiente o espaço para tirar dúvidas. O importante é que as dúvidas sejam sempre esclarecidas, sem moralismo, e se possível, também sob a orientação médica. http://www.sogia.com.br/dst-na-adolescencia/

TEXTO 3

A forma como a sociedade vem lutando há anos contra a epidemia da Aids é um indicador de como o enfrentamento e a superação de preconceitos são determinantes para o estabelecimento de práticas de promoção de bem-estar coletivo.
Desde que surgiu, a Aids forçou um olhar atento e sensível para questões que eram tratadas com desdém: homossexualidade, sexo livre, prostituição. Obrigou a um debate aberto e franco sobre iniciação sexual, sexo fora do casamento, uso de camisinha, consumo de drogas. E ainda disseminou um conjunto de saberes que nos tornaram mais conscientes de como cada pessoa podia e ainda pode contribuir para a transformação de um quadro que inicialmente se mostrou terrível e assustador.

Apesar de o índice de mortalidade ainda exigir atenção, os tratamentos desenvolvidos inseriram a Aids no quadro das doenças crônicas com as quais se pode conviver desfrutando de certa qualidade de vida e de uma longevidade que antes parecia impossível. Basta lembrar que por um bom tempo na primeira fase da epidemia, o diagnóstico da Aids era signo de sentença morte.
Todas as conquistas realizadas no tratamento da doença só foram possíveis porque parte importante da sociedade aceitou a difícil tarefa de compartilhar conhecimentos e dialogar opções para conter a propagação do vírus e controlar seus efeitos.
Pelas características próprias de sua disseminação, muitas questões de natureza moral se impuseram, oferecendo resistências e exigindo um redimensionamento de valores. Nesse sentido, a experiência de enfrentamento da AIDS é uma marca de por que o ser humano ainda está aqui e de por que, sendo tão frágil em um ambiente hostil, tem ganho de tempos em tempos o direito de seguir adiante.
Todo esse movimento talvez tenha contribuído para a sensação que muitos vêm experimentando de que a prevenção já não exige tantos cuidados. No entanto, o aumento expressivo de casos de Aids, que se verificou recentemente entre os jovens de 15 a 24 anos, acendeu uma luz vermelha e nos obriga a colocar esse tema novamente no centro de nossas atenções.
Apesar de todos os avanços, a Aids continua sendo uma doença grave, não tem cura, e só no Brasil mata 11 mil pessoas por ano. Quem hoje a adquire vai precisar inevitavelmente tomar remédios pelo resto da vida e conviver com seus efeitos colaterais. Os jovens, que neste momento compõem um grupo de risco importante, precisam tomar consciência dessa circunstância e estabelecer formas eficazes de evitar a contaminação.
É fato que hoje nos encontramos numa situação muito melhor: sabemos como evitar a contaminação pelo vírus da Aids e, quando contaminados, isso já não é mais imposição de morte certa. Entender como isso se tornou possível nos faz lembrar que somos seres históricos e nos obriga a atuar como tal: não devemos nos expor ao risco de andar para trás.
A sequência de atividades a seguir tem a intenção de levar o estudante a compreender como o vírus da AIDS se tornou, em determinada época, objeto de medo para grande parte da população e como a ação articulada de pessoas e instituições pôde, com o passar do tempo, desconstruir esse sentido. Numa outra dimensão, convidar o estudante a uma atitude de protagonismo, por meio de ações que promovam a conscientização de um problema que ainda está longe de ser superado.
José Carlos de Souza é professor de pós-graduação do curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruzhttp://www.cartaeducacao.com.br/aulas/medio/em-tempos-de-aids/




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