O brasileiro sabe a importância de consumir de forma consciente, mas quando se analisa o cotidiano do consumidor, mas não tem todas as atitudes necessárias à prática do consumo consciente, revelou hoje (1º) a economista-chefe do Serviços de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, ao comentar pesquisa em parceria com o portal de educação financeira Meu Bolso Feliz.
Segundo ela, só 21,8% dos brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes. Dos entrevistados, 46,8% disseram evitar desperdício e compras desnecessárias, 33% refletem sobre as consequências de uma compra antes de concretizá-la e 9,7% manifestaram atitudes que têm como foco economizar dinheiro.
A pesquisa mostra que o consumidor se ajusta ao consumo consciente quando vê o foco na questão financeira, quando dói no bolso, quando a conta está mais cara. Ele acaba se ajustando não pelo bem comum, mas porque ele quer economizar dinheiro, analisou Marcela.
Ela adverte, no entanto, que não deveríamos nos ajustar somente quando a situação já está crítica. "O ideal é se ajustar antes, para que a situação não fique extrema, como vimos no apagão duplo no início deste ano”, salientou.
Quando se trata de economizar água e luz elétrica, as motivações mais citadas são não desperdiçar um bem que é infinito (32,7%), ter a conta mais barata (21,5%), dar exemplo de redução de desperdícios de consumo e influenciar atitudes (17,1%) e sensação de fazer o certo (12%). Os fatores impeditivos são: falta de tempo (26,5%), distração e esquecimento (25,4%), não saber bem o que é preciso fazer (17%) e não acreditar que a atitude possa fazer diferença (16,2%).
De acordo com a pesquisa, 74% dos entrevistados fazem as atividades consideradas adequadas para o uso racional da água. O principal hábito para 90,4% deles é o de fechar a torneira enquanto escova os dentes, enquanto 88,3% dizem não lavar a casa ou calçada com mangueira. Com relação à economia de energia elétrica, 76% dos entrevistados têm ações conscientes. O hábito mais comum é o de apagar as luzes de ambientes vazios (97,1%).
O levantamento também apontou que os consumidores mais jovens são os menos conscientes. O percentual de atitudes corretas, que é de 69,3% para a população em geral, passa para 74,2% entre as pessoas com mais de 56 anos, e cai para 64,5% entre os consumidores de 18 a 29 anos.http://www.ebc.com.br/noticias/2015/07/so-218-dos-brasileiros-sao-consumidores-conscientes-mostra-pesquisa-do-spc
O brasileiro sabe a importância de consumir de forma consciente, mas quando se analisa o cotidiano do consumidor, mas não tem todas as atitudes necessárias à prática do consumo consciente, revelou hoje (1º) a economista-chefe do Serviços de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, ao comentar pesquisa em parceria com o portal de educação financeira Meu Bolso Feliz.
Segundo ela, só 21,8% dos brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes. Dos entrevistados, 46,8% disseram evitar desperdício e compras desnecessárias, 33% refletem sobre as consequências de uma compra antes de concretizá-la e 9,7% manifestaram atitudes que têm como foco economizar dinheiro.
A pesquisa mostra que o consumidor se ajusta ao consumo consciente quando vê o foco na questão financeira, quando dói no bolso, quando a conta está mais cara. Ele acaba se ajustando não pelo bem comum, mas porque ele quer economizar dinheiro, analisou Marcela.
Ela adverte, no entanto, que não deveríamos nos ajustar somente quando a situação já está crítica. "O ideal é se ajustar antes, para que a situação não fique extrema, como vimos no apagão duplo no início deste ano”, salientou.
Quando se trata de economizar água e luz elétrica, as motivações mais citadas são não desperdiçar um bem que é infinito (32,7%), ter a conta mais barata (21,5%), dar exemplo de redução de desperdícios de consumo e influenciar atitudes (17,1%) e sensação de fazer o certo (12%). Os fatores impeditivos são: falta de tempo (26,5%), distração e esquecimento (25,4%), não saber bem o que é preciso fazer (17%) e não acreditar que a atitude possa fazer diferença (16,2%).
De acordo com a pesquisa, 74% dos entrevistados fazem as atividades consideradas adequadas para o uso racional da água. O principal hábito para 90,4% deles é o de fechar a torneira enquanto escova os dentes, enquanto 88,3% dizem não lavar a casa ou calçada com mangueira. Com relação à economia de energia elétrica, 76% dos entrevistados têm ações conscientes. O hábito mais comum é o de apagar as luzes de ambientes vazios (97,1%).
O levantamento também apontou que os consumidores mais jovens são os menos conscientes. O percentual de atitudes corretas, que é de 69,3% para a população em geral, passa para 74,2% entre as pessoas com mais de 56 anos, e cai para 64,5% entre os consumidores de 18 a 29 anos.http://www.ebc.com.br/noticias/2015/07/so-218-dos-brasileiros-sao-consumidores-conscientes-mostra-pesquisa-do-spc
Ascensão de famílias à classe média deve ser associada ao consumo consciente
Criado em 05/06/15 09h47 e atualizado em 05/06/15 10h03
Por Andreia Verdélio Edição:Denise Griesinger Fonte:Agência Brasil
O slogan do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje (5), “Sete bilhões de sonhos. Um planeta. Consuma com moderação”, convida as pessoas a repensarem seus estilos de vida e a se verem como parte da coletividade, em uma comunidade global. A expectativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é que de um a três bilhões de consumidores de classe média sejam somados à população global até 2030 e o Brasil tem um papel importante neste contexto.

Campanha do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) convida a repensar os hábitos e estilo de vida do cidadão e alerta para o consumo conscientePnuma/divulgação
Para a consultora do Pnuma na área de consumo sustentável, Fernanda Daltro, o país tem grande potencial para se tornar modelo de sustentabilidade e exportar esse conceito para o mundo, com a ascensão de novas famílias para a classe média. “Temos uma relação diferenciada com a natureza e uma população mais sensível ao tema e que está construindo seu modelo de consumo. O Brasil está em um momento de virada, com o acesso de boa parte da população à classe média e que podem agora ter o supérfluo e não apenas o necessário para subsistência. Então precisamos trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que não tenham só o consumismo como objetivo de vida”, disse.
Fernanda explica que o planeta não tem como sustentar o padrão da classe média no modelo atual, construído desde a segunda guerra mundial, principalmente pelos Estados Unidos, e exportado para mundo. Ela diz que as empresas e o poder público têm instrumentos importantes para incentivar a produção e o consumo sustentáveis, como campanhas de conscientização, critérios em compras públicas e incentivos econômicos. Para ela, cada movimento, cada mudança de hábito das pessoas importa e também faz a diferença no contexto final.
“Se cada um pudesse mudar uma coisa nos seus hábitos que favoreça o meio ambiente e se sete bilhões de nós fizermos isso também? Pequenos hábitos fazem a diferença, dão exemplo e vão contaminando as pessoas ao seu redor”, explicou Fernanda.
A gerente de Comunicação e Campanhas do Instituto Akatu, organização não governamental que trabalha pelo consumo consciente, Gabriela Yamaguchi, lembrou que o país está vivendo uma crise de escassez de água e a população sente os efeitos na prática. Para ela, esse é o momento de promover a educação e a mudança de comportamento para o consumo sustentável. “As pessoas devem visualizar que realmente estamos próximos desses recursos se esgotarem se continuarmos nesse ritmo de consumo”, disse.
Segundo Gabriela, a ideia de que a riqueza de um país está ligada apenas ao giro da sua economia está ficando ultrapassada e cada vez mais as instâncias internacionais têm um olhar mais social, além do econômico. “O Brasil tem sido muito reconhecido pela inclusão de pessoas no acesso aos bens de consumo, mas tem um desafio muito grande que é a educação dessa população. Só dar poder de compra não forma cidadãos que analisam e fazem as escolhas conscientes. Precisamos ajudar as pessoas a questionarem o que é mais importante na vida delas, a fazerem escolhas que priorizem menos bens materiais e sigam no caminho da qualidade de vida”, explicou.
O Instituto Akatu possui uma rede de aprendizagem para troca de conhecimentos e práticas sobre consumo consciente entre professores e alunos do Ensino Fundamental de escolas em todo o Brasil. O Edukatu reúne informações e materiais sobre o tema e convida os participantes a realizar atividades por meio de circuitos de aprendizagem.
Já o Pnuma desenvolve no Brasil, desde 2008, a campanha Passaporte Verde que procura sensibilizar turistas para contribuir com o desenvolvimento sustentável local por meio de escolhas responsáveis durante as férias e o lazer. Na próxima semana, o programa das Nações Unidas lança, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o Guia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios.
Segundo a consultora do Pnuma, o guia é uma forma simplificada de explicar esse conceito de produção e consumo sustentáveis. “Isso vai além da chamada gestão ambiental, de reduzir o desperdício, mas desenhar produtos mais sustentáveis, um ferro elétrico que consome menos energia, por exemplo. O guia traduz esse conceito mais complexo para uma linguagem que as pequenas e médias empresas entendem e se apropriam. É uma conversa com todos os elos da cadeia também para sensibilizar o consumidor a prestigiar esses produtos. Optar pelos mais sustentáveis serve de recado para a indústria, de que [o consumidor] quer mais desses produtos”, explicou Fernanda.
..........................
Obsolescência Programada
Enquanto a chamada sociedade de consumo surgiu no início do século XX no mundo, ela só aconteceu no Brasil no meio daquele século, eis que somente após esta época é que pleno acesso ao consumo e a consequente insuficiência de informações para que se possa consumir com eficiência, garantia e segurança.
A chamada obsolescência programada ou obsolescência planejada é uma estratégia utilizada pelos fornecedores com o intuito de estimular a aquisição de novos produtos em um curto período de tempo, fazendo com os produtos adquiridos se tornem ultrapassados, perdendo o valor econômico em relação ao preço pago na compra.
Graças a esta prática usual, há um considerável aumento da venda de produtos de forma periódica e o consequente lucro aos fornecedores, graças a uma diminuição na vida útil do produto. Bruno Miragem define esta prática como “redução artificial da durabilidade de produtos ou do ciclo de vida de seus componentes, para que seja forçada a recompra prematura”[41].
Esta estratégia programada de se lançar produtos no mercado já com a limitação de existência deste caracteriza uma prática comercial abusiva.
“Verbi gratia”, recentemente a empresa norte-americana Apple foi processada pelo Instituto Brasileiro de Direito da Informática que alega que a empresa lançou o tablet iPad 3 consciente de que o modelo seria em breve substituído pelo iPad 4. A demanda foi encetada perante à 12ª Vara Cível do Distrito Federal no dia 06/02/2012, sendo a notícia do Jornal Comércio de Porto Alegre/RS: “a ação aponta que a Apple quebrou o paradigma de aguardados lançamentos anuais - seguido na 1ª, 2ª e 3ª geração do iPad - ao apresentar a quarta geração, em outubro de 2012, sete meses depois de lançar o tablet nos Estados Unidos e apenas cinco meses após o produto desembarcar no Brasil”. [42]
Nesta ação, o requerente afirma que o iPad 3 da Apple poderia ter chegado às prateleiras com as características apresentadas na quarta geração, mas a empresa, com o intuito de obter lucro, resolveu por a venda a versão antiga já sabendo que eles seriam rapidamente substituídos pela nova versão.
Entretanto, não podemos confundir a obsolescência programada com a mera inovação tecnológica, que acaba por levar ao mercado versões atualizadas de produtos ou serviços ofertados. O Código de Defesa do Consumidor no § 2º do artigo 12 declara que “O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado”. Este dispositivo demonstra que esta lei foi criada para a proteção do vulnerável, entretanto, tal abrigo não pode ser arbitrário. Assim a simples inovação tecnológica, por si só, não torna o produto antigo viciado.
A questão a ser feita então é a seguinte: quanto tempo as coisas devem durar?
De um lado, a tecnologia vai se inovando e produzindo produtos melhores, do outro os produtos vão sendo ultrapassados rapidamente trazendo consequências para o meio ambiente. Contrariando as ações sustentáveis, estratégias de marketing e de incentivo ao consumo são propagadas, cada vez mais. O conceito de obsolescência programada, que é a prática intencional da indústria de diminuir a durabilidade dos produtos, une-se a outras iniciativas que fomentam as compras. Em países desenvolvidos, a vida útil dos eletroeletrônicos já caiu de seis para apenas dois anos, entre 1997 e 2005. A grande oferta de produtos e a concorrência fazem com que se torne mais fácil e barato adquirir algo atual, mas será que o barato sai caro? Todo o gasto, por exemplo, para a produção de um novo celular, inclui, entre outros fatores, a extração das matérias primas, o contexto social do local e dos trabalhadores envolvidos no processo, além do impacto ambiental após a vida útil do celular. Uma hora ou outra os custos, seja dos recursos naturais, humanos ou materiais, vão pesar. [43]
O Código de Defesa do Consumidor não tratou, de forma explícita, a obsolescência programada. A lei consumerista, de forma bem acanhada, no parágrafo único, do art.32 do CDC[44], limitou-se em determinar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto. E prescreveu também uma razoabilidade de prazo para a mantença da oferta destes componentes e peças de reposição, após findas a produção ou importação.
No que diz respeito a esta razoabilidade de prazo, é salutar que este lapso de tempo seja harmonizável com o período de vida útil do produto, pois o consumidor tem direito ao conserto até o fim da vida útil do produto e não somente durante o prazo de garantia.
Neste sentido é o que bem apregoa Laís Gomes Bergstein:
[...] na hipótese de serem lançadas novas versões ou edições de produtos, os fornecedores deverão oferecer meios para que aqueles já adquiridos pelos consumidores permaneçam funcionando adequadamente até que precisem ser descartados em função de seu desgaste natural. [45]
Assim, a falta das peças de reposição quando o produto ainda esteja no mercado, ou em um tempo de vida útil, neste caso, quando já tenha sido substituído pela inovação tecnológica de produtos subsequentes, acaba por evidenciar a prática comercial abusiva da obsolescência programada.
Por outro lado, se a ausência de peças torna necessária a aquisição de um produto novo, eis que impossível o conserto do antigo, da mesma forma, o aumento considerável do preço das peças de reposição também podem acarretar a necessidade de aquisição de outro produto.
Encontra-se assim o consumidor em um estado de vulnerabilidade excessiva, eis que não tem como fugir esta situação que lhe é imposta pela indústria. É o que entende Bergstein:
As técnicas empregadas para burlar esta regra caracterizam a prática da obsolescência programada, pois artificialmente antecipam a perda de utilidade ou funcionalidade do produto em manifesta violação aos direitos dos consumidores, contribuindo com a elevação do seu grau de vulnerabilidade perante o mercado.[46]
Entretanto, salienta-se que a configuração da obsolescência programada não ocorre tão somente neste caso, a mais gritante forma ocorre no ardil engenhoso que é utilizado pelas indústrias, com o intuito de estimular a aquisição de novos produtos em um curto período de tempo, fazendo com os produtos adquiridos se tornem ultrapassados, perdendo o valor econômico em relação ao preço pago na compra. Assim, o lançamento do novo, acarreta a imediata atualização por parte do consumidor.
Criado em 05/06/15 09h47 e atualizado em 05/06/15 10h03
Por Andreia Verdélio Edição:Denise Griesinger Fonte:Agência Brasil
Por Andreia Verdélio Edição:Denise Griesinger Fonte:Agência Brasil
O slogan do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje (5), “Sete bilhões de sonhos. Um planeta. Consuma com moderação”, convida as pessoas a repensarem seus estilos de vida e a se verem como parte da coletividade, em uma comunidade global. A expectativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é que de um a três bilhões de consumidores de classe média sejam somados à população global até 2030 e o Brasil tem um papel importante neste contexto.
Campanha do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) convida a repensar os hábitos e estilo de vida do cidadão e alerta para o consumo conscientePnuma/divulgação
Para a consultora do Pnuma na área de consumo sustentável, Fernanda Daltro, o país tem grande potencial para se tornar modelo de sustentabilidade e exportar esse conceito para o mundo, com a ascensão de novas famílias para a classe média. “Temos uma relação diferenciada com a natureza e uma população mais sensível ao tema e que está construindo seu modelo de consumo. O Brasil está em um momento de virada, com o acesso de boa parte da população à classe média e que podem agora ter o supérfluo e não apenas o necessário para subsistência. Então precisamos trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que não tenham só o consumismo como objetivo de vida”, disse.
Fernanda explica que o planeta não tem como sustentar o padrão da classe média no modelo atual, construído desde a segunda guerra mundial, principalmente pelos Estados Unidos, e exportado para mundo. Ela diz que as empresas e o poder público têm instrumentos importantes para incentivar a produção e o consumo sustentáveis, como campanhas de conscientização, critérios em compras públicas e incentivos econômicos. Para ela, cada movimento, cada mudança de hábito das pessoas importa e também faz a diferença no contexto final.
“Se cada um pudesse mudar uma coisa nos seus hábitos que favoreça o meio ambiente e se sete bilhões de nós fizermos isso também? Pequenos hábitos fazem a diferença, dão exemplo e vão contaminando as pessoas ao seu redor”, explicou Fernanda.
A gerente de Comunicação e Campanhas do Instituto Akatu, organização não governamental que trabalha pelo consumo consciente, Gabriela Yamaguchi, lembrou que o país está vivendo uma crise de escassez de água e a população sente os efeitos na prática. Para ela, esse é o momento de promover a educação e a mudança de comportamento para o consumo sustentável. “As pessoas devem visualizar que realmente estamos próximos desses recursos se esgotarem se continuarmos nesse ritmo de consumo”, disse.
Segundo Gabriela, a ideia de que a riqueza de um país está ligada apenas ao giro da sua economia está ficando ultrapassada e cada vez mais as instâncias internacionais têm um olhar mais social, além do econômico. “O Brasil tem sido muito reconhecido pela inclusão de pessoas no acesso aos bens de consumo, mas tem um desafio muito grande que é a educação dessa população. Só dar poder de compra não forma cidadãos que analisam e fazem as escolhas conscientes. Precisamos ajudar as pessoas a questionarem o que é mais importante na vida delas, a fazerem escolhas que priorizem menos bens materiais e sigam no caminho da qualidade de vida”, explicou.
O Instituto Akatu possui uma rede de aprendizagem para troca de conhecimentos e práticas sobre consumo consciente entre professores e alunos do Ensino Fundamental de escolas em todo o Brasil. O Edukatu reúne informações e materiais sobre o tema e convida os participantes a realizar atividades por meio de circuitos de aprendizagem.
Já o Pnuma desenvolve no Brasil, desde 2008, a campanha Passaporte Verde que procura sensibilizar turistas para contribuir com o desenvolvimento sustentável local por meio de escolhas responsáveis durante as férias e o lazer. Na próxima semana, o programa das Nações Unidas lança, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o Guia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios.
Segundo a consultora do Pnuma, o guia é uma forma simplificada de explicar esse conceito de produção e consumo sustentáveis. “Isso vai além da chamada gestão ambiental, de reduzir o desperdício, mas desenhar produtos mais sustentáveis, um ferro elétrico que consome menos energia, por exemplo. O guia traduz esse conceito mais complexo para uma linguagem que as pequenas e médias empresas entendem e se apropriam. É uma conversa com todos os elos da cadeia também para sensibilizar o consumidor a prestigiar esses produtos. Optar pelos mais sustentáveis serve de recado para a indústria, de que [o consumidor] quer mais desses produtos”, explicou Fernanda.
..........................
Obsolescência Programada
Enquanto a chamada sociedade de consumo surgiu no início do século XX no mundo, ela só aconteceu no Brasil no meio daquele século, eis que somente após esta época é que pleno acesso ao consumo e a consequente insuficiência de informações para que se possa consumir com eficiência, garantia e segurança.
A chamada obsolescência programada ou obsolescência planejada é uma estratégia utilizada pelos fornecedores com o intuito de estimular a aquisição de novos produtos em um curto período de tempo, fazendo com os produtos adquiridos se tornem ultrapassados, perdendo o valor econômico em relação ao preço pago na compra.
Graças a esta prática usual, há um considerável aumento da venda de produtos de forma periódica e o consequente lucro aos fornecedores, graças a uma diminuição na vida útil do produto. Bruno Miragem define esta prática como “redução artificial da durabilidade de produtos ou do ciclo de vida de seus componentes, para que seja forçada a recompra prematura”[41].
Esta estratégia programada de se lançar produtos no mercado já com a limitação de existência deste caracteriza uma prática comercial abusiva.
“Verbi gratia”, recentemente a empresa norte-americana Apple foi processada pelo Instituto Brasileiro de Direito da Informática que alega que a empresa lançou o tablet iPad 3 consciente de que o modelo seria em breve substituído pelo iPad 4. A demanda foi encetada perante à 12ª Vara Cível do Distrito Federal no dia 06/02/2012, sendo a notícia do Jornal Comércio de Porto Alegre/RS: “a ação aponta que a Apple quebrou o paradigma de aguardados lançamentos anuais - seguido na 1ª, 2ª e 3ª geração do iPad - ao apresentar a quarta geração, em outubro de 2012, sete meses depois de lançar o tablet nos Estados Unidos e apenas cinco meses após o produto desembarcar no Brasil”. [42]
Nesta ação, o requerente afirma que o iPad 3 da Apple poderia ter chegado às prateleiras com as características apresentadas na quarta geração, mas a empresa, com o intuito de obter lucro, resolveu por a venda a versão antiga já sabendo que eles seriam rapidamente substituídos pela nova versão.
Entretanto, não podemos confundir a obsolescência programada com a mera inovação tecnológica, que acaba por levar ao mercado versões atualizadas de produtos ou serviços ofertados. O Código de Defesa do Consumidor no § 2º do artigo 12 declara que “O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado”. Este dispositivo demonstra que esta lei foi criada para a proteção do vulnerável, entretanto, tal abrigo não pode ser arbitrário. Assim a simples inovação tecnológica, por si só, não torna o produto antigo viciado.
A questão a ser feita então é a seguinte: quanto tempo as coisas devem durar?
De um lado, a tecnologia vai se inovando e produzindo produtos melhores, do outro os produtos vão sendo ultrapassados rapidamente trazendo consequências para o meio ambiente. Contrariando as ações sustentáveis, estratégias de marketing e de incentivo ao consumo são propagadas, cada vez mais. O conceito de obsolescência programada, que é a prática intencional da indústria de diminuir a durabilidade dos produtos, une-se a outras iniciativas que fomentam as compras. Em países desenvolvidos, a vida útil dos eletroeletrônicos já caiu de seis para apenas dois anos, entre 1997 e 2005. A grande oferta de produtos e a concorrência fazem com que se torne mais fácil e barato adquirir algo atual, mas será que o barato sai caro? Todo o gasto, por exemplo, para a produção de um novo celular, inclui, entre outros fatores, a extração das matérias primas, o contexto social do local e dos trabalhadores envolvidos no processo, além do impacto ambiental após a vida útil do celular. Uma hora ou outra os custos, seja dos recursos naturais, humanos ou materiais, vão pesar. [43]
O Código de Defesa do Consumidor não tratou, de forma explícita, a obsolescência programada. A lei consumerista, de forma bem acanhada, no parágrafo único, do art.32 do CDC[44], limitou-se em determinar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto. E prescreveu também uma razoabilidade de prazo para a mantença da oferta destes componentes e peças de reposição, após findas a produção ou importação.
No que diz respeito a esta razoabilidade de prazo, é salutar que este lapso de tempo seja harmonizável com o período de vida útil do produto, pois o consumidor tem direito ao conserto até o fim da vida útil do produto e não somente durante o prazo de garantia.
Neste sentido é o que bem apregoa Laís Gomes Bergstein:
[...] na hipótese de serem lançadas novas versões ou edições de produtos, os fornecedores deverão oferecer meios para que aqueles já adquiridos pelos consumidores permaneçam funcionando adequadamente até que precisem ser descartados em função de seu desgaste natural. [45]
Assim, a falta das peças de reposição quando o produto ainda esteja no mercado, ou em um tempo de vida útil, neste caso, quando já tenha sido substituído pela inovação tecnológica de produtos subsequentes, acaba por evidenciar a prática comercial abusiva da obsolescência programada.
Por outro lado, se a ausência de peças torna necessária a aquisição de um produto novo, eis que impossível o conserto do antigo, da mesma forma, o aumento considerável do preço das peças de reposição também podem acarretar a necessidade de aquisição de outro produto.
Encontra-se assim o consumidor em um estado de vulnerabilidade excessiva, eis que não tem como fugir esta situação que lhe é imposta pela indústria. É o que entende Bergstein:
As técnicas empregadas para burlar esta regra caracterizam a prática da obsolescência programada, pois artificialmente antecipam a perda de utilidade ou funcionalidade do produto em manifesta violação aos direitos dos consumidores, contribuindo com a elevação do seu grau de vulnerabilidade perante o mercado.[46]
Entretanto, salienta-se que a configuração da obsolescência programada não ocorre tão somente neste caso, a mais gritante forma ocorre no ardil engenhoso que é utilizado pelas indústrias, com o intuito de estimular a aquisição de novos produtos em um curto período de tempo, fazendo com os produtos adquiridos se tornem ultrapassados, perdendo o valor econômico em relação ao preço pago na compra. Assim, o lançamento do novo, acarreta a imediata atualização por parte do consumidor.
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