Escreva uma dissertação que observe o esquema:
1 - Mostre a importância da solidariedade nos dias de hoje ( Introdução). Use trechos do texto 1, pode copiar, usando aspas ou parafrasear.
2 - Na argumentação, utilize o exemplo do texto 2. Resuma a reportagem e transforme-a em exemplificação.
3 - Apresente uma proposta de intervenção que resgate o exemplo do homem que se dedica aos moradores de rua, mas amplie isso, expondo outras soluções que achar convenientes.
TEXTO 1
Ser solidário está na moda, é politicamente correto e se apresenta no cenário social como possível saída para as mazelas da humanidade em tempos de globalização imperial, de exclusão e crescente miséria. A visibilidade que o tema da solidariedade apresenta hoje, através da proliferação de inúmeras campanhas para sua difusão, parece apontar para a necessidade de reconstruir as relações sociais e, a partir delas, o mundo. Hoje convivem campanhas governamentais e não-governamentais contra a fome, para a erradicação da miséria, campanhas para colher doações desde dinheiro até plasma, campanhas de assistência e ajuda aos necessitados, aos excluídos, a algumas minorias. Ao mesmo tempo, surgem apelos ao voluntariado, à responsabilidade civil de mega empresas capitalistas, campanhas para conscientização e responsabilização social e ecológica. Estes apelos partilham o palco com t i c k e t s mágicos, desfalques, rombos e muita impunidade, tudo se misturando em nossas mentes e corações contemporâneos e globalizados, gerando perguntas, questionamentos. A imensa quantidade de campanhas para difundir a solidariedade parece querer nos dizer o “que deve ser feito”, e parece apelar à responsabilidadeda sociedade para com todos, como maneira de preencher o campo social fragmentado e esfacelado pelo liberalismo, numa tentativa de transformação social. Também pensamos na necessidade de reconstruir o mundo, mas nos pe rguntamos se esta é a via mais apropriada. Questionamos o sentido1 do conjunto das campanhas de solidariedade, como um fato social com alta visibilidade hoje, que se nos impõe com força modelar e normativa e tem como função, aparentemente, tentar “ligar as individualidades” isoladas umas das outras, ilhadas e sem contato. Através da desconstrução da “função” de tais campanhas solidárias, elas se posicionam como um assistencialismo que atua como mero paliativo, reforçando em certo sentido a aceitação da exclusão e da miséria, sem se orientar para a transformação de suas causas.2 A “solidariedade por decreto”, como a denominamos, é a do “d e v e r se r” e se apresenta, no nosso entender, como a mais clara declaração de ineficácia do antigo padrão “individualista” que modelou as subjetividades, isolando-as umas das outras, deturpando desta maneira sua “potência”.3 Hoje, o “individualismo” parece haver chegado ao limite do seu próprio paradoxo: a individualidade, encurralada dentro de rígidos e padronizados muros, “dócil e endividada”,4 precisa se reinventar, recriar-se no contato com os outros. Para sobreviver, precisamos nos “abrir” aos contatos, às trocas: tal parece ser a mensagem inserida nas inúmeras ações de solidariedade que vêm sendo impulsionadas hoje, obrigando quase a perceber “o outro”, a “incluí-lo” como condição de continuidade da vida em sociedade.
(...)
Nosso horizonte é o delineamento de um conceito de solidariedade que
sirva como guia e indicador de ações solidárias.
A “solidariedade por convivência” visa a transformação estrutural da
sociedade, consolidando uma nova ética que se manifeste em todas as relações
micro-políticas do cotidiano, promovendo o agenciamento de processos de
singularização e efetivando a ação articulada em um projeto político. Porque
o ser não apenas vive, ele “con-vive, vive-com”, dando ao conceito de “solidariedade”
uma conotação que vai alem da cooperação e a participação: a
solidariedade torna-se constitutiva, ontológica. http://uninomade.net/wp-content/files_mf/113003120826Solidariedade%20subjetividade%20coletiva%20e%20filosofia%20do%20desejo%20-%20Telma%20Mariasch.pdf
TEXTO2
Depois de ter sido morador de rua e viciado em drogas, Eduardo trabalha para recuperar pessoas que estão em situações precárias. Todo tipo de doação é bem-vinda
— Há uns dois anos, eu era magro, cabeludo, andava de pés descalços, com a roupa rasgada, toda suja de fezes e urina, e tinha mais ou menos um centímetro de lodo no corpo. Ninguém aguentava ficar perto de mim, nem mesmo os outros mendigos.
Projeto social alimenta moradores de rua aos domingos em Porto Alegre
Assim começa o desabafo de um ex-morador de rua e ex-viciado em drogas, que viveu cerca de três anos perambulando pelas praças de Porto Alegre. José Eduardo da Silva Flores, 30 anos, precisou chegar no fundo do poço para enxergar que a situação deplorável em que vivia tinha uma saída.
Troca de bolachas em escolas espalha paz entre as crianças de Portão
Foi pela influência de amigos que Eduardo entrou no mundo das drogas, quando tinha 17 anos. Aos 26, mesmo casado e com uma filha, ele preferiu deixar a residência em que morava para ir dormir nas calçadas, por conta da dependência química.
— Assim como a maioria dos viciados, comecei com a maconha, a grande porta de entrada. Daí, fui para a cocaína e o crack, a droga mais acessível. Foi eu mesmo quem me pus para fora de casa. Queria liberdade, consumir sem culpa — conta Eduardo que, enquanto morava nas ruas, chegou a usar 25 pedras de crack por dia.
Albergue Dias da Cruz pode fechar por dificuldades financeiras
Sem nunca ter roubado, ele fala, com vergonha, que chegou a trocar objetos de dentro de casa por drogas.
— Quando eu optei pelo vício, perdi tudo. Tudo, tudo, tudo que eu tinha. Perdi minha família, meus amigos, minha dignidade, e passei a viver como um bicho. Eu comia restos direto do lixo, até mesmo a comida que estava misturada com lixo de banheiro — diz o jovem.
Projeto social alimenta moradores de rua aos domingos em Porto Alegre
Assim começa o desabafo de um ex-morador de rua e ex-viciado em drogas, que viveu cerca de três anos perambulando pelas praças de Porto Alegre. José Eduardo da Silva Flores, 30 anos, precisou chegar no fundo do poço para enxergar que a situação deplorável em que vivia tinha uma saída.
Troca de bolachas em escolas espalha paz entre as crianças de Portão
Foi pela influência de amigos que Eduardo entrou no mundo das drogas, quando tinha 17 anos. Aos 26, mesmo casado e com uma filha, ele preferiu deixar a residência em que morava para ir dormir nas calçadas, por conta da dependência química.
— Assim como a maioria dos viciados, comecei com a maconha, a grande porta de entrada. Daí, fui para a cocaína e o crack, a droga mais acessível. Foi eu mesmo quem me pus para fora de casa. Queria liberdade, consumir sem culpa — conta Eduardo que, enquanto morava nas ruas, chegou a usar 25 pedras de crack por dia.
Albergue Dias da Cruz pode fechar por dificuldades financeiras
Sem nunca ter roubado, ele fala, com vergonha, que chegou a trocar objetos de dentro de casa por drogas.
— Quando eu optei pelo vício, perdi tudo. Tudo, tudo, tudo que eu tinha. Perdi minha família, meus amigos, minha dignidade, e passei a viver como um bicho. Eu comia restos direto do lixo, até mesmo a comida que estava misturada com lixo de banheiro — diz o jovem.
Recuperação
Foi em uma manhã de domingo, há dois anos, que Eduardo chegou, pela primeira vez, na Igreja Evangélica Templo de Oração, na Rua Oscar Pereira, na Zona Sul de Porto Alegre, levado pelo estômago.
— Eu não queria nem saber de religião, eu estava era com fome mesmo. Vi que eles estavam dando comida para os moradores de rua. Peguei meu prato de sopa e comecei a prestar atenção no que o pastor dizia. Aquilo tudo fez sentido para mim, me identifiquei e pedi ajuda na igreja — conta o missionário.
Ele recebeu atenção dos pastores e conseguiu morar no local. Com apoio da religião, Eduardo decidiu se recuperar por conta própria e, desde então, nunca teve uma recaída.
— Nunca fui para um centro de recuperação, foi força de vontade. Quando percebi que estava recuperado, senti que precisava voltar aos locais onde passei e ajudar o pessoal da rua. O mendigo é invisível na sociedade, as pessoas passam e não enxergam um ser humano. Por já ter sido como eles, sei do quanto eles precisam de atenção — conta.
Impulsionado pelo desejo de ajudar os necessitados, ele passou a receber doações de comida, roupas e dinheiro para criar o projeto Missiões e Evangelismo Valentes de Davi. Há um ano, Eduardo cozinha, em sua própria casa, todos os dias cerca de 20 marmitas e distribui para moradores de rua.
Fotos Ronaldo Bernardi/Agência RBS
— A pior coisa é quando eu estou entregando a última marmita e aparece mais um morador de rua para comer. Me dá vontade de chorar por não ter mais um prato para oferecer _ junto com a comida, ele conversa com os mendigos e faz uma oração. No fim da tarde, o missioneiro leva agasalhos e lanches, como sanduíche e leite, para crianças das vilas de Porto Alegre.
— Resolvi ajudar também crianças em situação de extrema miséria, justamente por serem o futuro da humanidade. Quando forem mais velhas, vão lembrar de um gesto de carinho que receberam no passado, e isso pode mudar o rumo das suas vidas _ revela Eduardo, que entrega as quentinhas sozinho, às vezes de bicicleta, amarrando os potes em uma sacola, às vezes de carona.
Final feliz
Depois de enfrentar tantos medos nas ruas, como frio e fome, Eduardo hoje dorme em uma cama quentinha. Paralelo ao projeto do bem, ele é missionário da Igreja Evangélica e passou a dar palestras e pregar as palavras do evangelho em igrejas de todo Estado. Com a remuneração destes trabalhos, paga o aluguel da casa, onde mora com a esposa e onde recebe a filha todos os finais de semana.
À convite de uma entidade, Eduardo viaja, no dia 1o de setembro, rumo a Goiânia, em Goiás, onde irá mostrar seu trabalho durante 15 dias.
— Comecei esse trabalho e não paro mais. O meu maior desejo é poder entregar 200 pratos de comida por dia. Se eu morrer agora e tiver conseguido recuperar uma pessoa, já valeu a pena!
A rotina da solidariedade
O Diário Gaúcho acompanhou um dia na vida de Eduardo Flores. Logo de manhã, ele se preparou para ir às ruas: separou roupas infantis, cozinhou feijão, arroz, massa e molho, preparou sanduíches e leite com achocolatado.
A reportagem foi com o missionário e o pastor Sergio Amaral ao viaduto da Borges de Medeiros e o da Conceição, os dois no centro de Porto Alegre, onde foram entregues as quentinhas.
Ao falar palavras de fé e de esperança, os moradores de rua se emocionaram com o gesto. Cledilson Rafael Jardim Dutra, 22 anos, é de Santa Catarina, mas foi preso no Rio Grande de Sul por tráfico de drogas. Depois de quatro anos preso em Charqueadas, ele voltou para Porto Alegre e mora na rua há seis meses.
— O cara se acostuma com a vida na rua, aqui tudo é mais fácil. Lá na minha cidade, Balneário Camboriu, eu tenho tudo que eu preciso. Mas falta coragem para voltar. A gente se emociona quando alguém se importa com nossa situação — fala Cledilson com lágrimas nos olhos.
No fim do dia, fomos para o Beco X, na avenida Voluntários da Pátria, no Bairro Humaitá, onde moram cerca de 350 famílias em condições precárias. Mais de 20 crianças ganharam lanche da tarde, roupas e palavras de incentivo para um futuro melhor.
Como você pode ajudar?
- Eduardo Flores tem uma página no Facebook, a Missões e Evangelismo Valentes de Davi, onde você pode conhecer as ações voluntárias do projeto.
- Com urgência, Eduardo precisa de doação de alimento, marmitex para as quentinhas, colheres de plástico e caixas de plástico grandes para colocar sanduíches.
- O missioneiro busca ajuda financeira para tirar a carteira de motorista e, até mesmo, aceita doação de carro ou kombi para não depender de caronas.
- Para entrar em contato e saber informações bancárias para ajuda financeira, os telefones são: 8418-2343 ou 8556-9516.
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