terça-feira, 28 de junho de 2016

Dissertação: causas da violência no tráfego ( Brasil)




REGRAS
INTRODUÇÃO - USE DADOS DAS ESTATÍSTICAS DO GRÁFICO E PROPONHA-SE A ESTUDAR AS CAUSAS DA VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO BRASILEIRO.

ARGUMENTOS - EM DOIS PARÁGRAFOS ESCOLHA ALGUMAS DAS CAUSAS DESSA VIOLÊNCIA.
(VOCÊ DEVERÁ CITAR O LIVRO DE ROBERTO DA MATTA. 
CONCLUSÃO - FAÇA UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO.

 - ''Roberto Da Matta, em parceria com João Gualberto M. Vasconcelos e Ricardo Pandolfi, no traz uma análise aprofundada sobre os comportamentos e atitudes vivenciados diariamente nas vias públicas das grandes cidades brasileiras. Tendo como parâmetro uma pesquisa realizada sobre o trânsito na capital do Espírito Santo, DaMatta aborda a questão do trânsito no Brasil, aproximando-o com a discussão feita anteriormente no seu livro A casa e a rua (DaMatta, 1997).
Roberto DaMatta observa como a rua, concebida dentro de um contexto igualitário, aberto a todos, pode se tornar hierarquizada socialmente e como a violência e a loucura dos condutores e pedestres têm crescido em decorrência disso. Levando em conta a dicotomia entre os valores da casa e os da rua, o livro considera o pressuposto de que, no Brasil, a utilização do carro como principal instrumento de transporte é seguido por uma série de concepções ligadas aos modelos aristocrático e individualista, personificados na ocupação do espaço público realizado por dona Carlota Joaquina (p. 94), que recebia reverência de todos que passavam pelas ruas ao ser levada em sua cadeirinha de arruar, por escravos. Nos dias atuais, o carro faz com que os indivíduos se protejam de contatos mais diretos com outros, mas por outro lado possibilita o poder da liberdade e a consequência disso é um cidadão repleto de direitos e vazio de deveres.
Analisando o trânsito como um sistema cultural, nos termos de Clifford Geertz (1989), e afastando-se da ideia de produzir uma obra sobre engenharia, ou sobre educação no trânsito, a proposta do livro é analisar os comportamentos dos condutores, pedestres, (moto)ciclistas, levando em consideração a dificuldade do brasileiro de cumprir leis, bem como a mentalidade hierárquica que classifica objetos e pessoas como superiores ou inferiores, resultando disso uma situação de constante conflito e tensão, num espaço que, presumidamente, acredita-se ser de igualdade para todos.
Se no carnaval o brasileiro é visto em toda sua cordialidade como um sujeito alegre e sem preocupações, no trânsito esse mesmo sujeito torna-se agressivo e tem a necessidade de ultrapassar todos os obstáculos que estão na sua frente (pedestres, ciclistas, semáforos etc.). No capítulo 2, intitulado "Raízes da desobediência", DaMatta justifica essa carga de desumanidade e a agressividade encontrada no trânsito considerando que o ato de sair de casa, no Brasil, é algo dramático. Ao sair de casa, deve-se esquecer os laços sociais pautados pela hierarquia e as normas familiares, e encarar a rua como um local perigoso e repleto de riscos, e onde só Deus pode tomar conta de tudo e de todos.
No capítulo 3, "Receitas para enlouquecer: avaliações e julgamentos do trânsito", a questão da falta do cumprimento das leis, tanto por parte dos condutores quanto por parte dos pedestres, apresenta-se como interesse principal de análise. O prestígio e o poder de liberdade que o carro oferece aos seus usuários fazem com que o pedestre se torne a principal vítima desse espaço, onde o carro deixa de ser um instrumento de locomoção para se tornar um símbolo de superioridade social.
No capítulo "O carro é o motorista", demonstra-se como atualmente o carro foi transformado em um objeto de desejo e como instrumento de ascensão social. O cidadão motorizado tem prestígio de se deslocar livremente, muitas vezes até mesmo sem carteira de habilitação, o que proporciona uma sensação de privilégio em relação aos que não possuem um carro. Desse modo, afirma-se que o carro importado, novo e em ótimas condições está no topo da hierarquia do trânsito.
A dimensão referente aos sentimentos e emoções provocados no trânsito, como estresse, agressividade e impaciência, pode ser entendida a partir da análise do dilema do trânsito, onde se constitui uma contradição entre a concepção de rua como um espaço construído para todos e indivíduos com uma mentalidade marcada pela hierarquia aristocrática. Além disso, há no Brasil uma crença compartilhada por condutores de veículos, motociclistas e pedestres: a de que os problemas do trânsito estão relacionados a fatores externos - ausência de estrutura física adequada de funcionamento das vias públicas. A partir disso pode-se destacar a falta de conscientização em relação aos direitos e, principalmente, aos deveres de cada um ao sair de casa.
''.Carolina Vasconcelos Pitanga*
Universidade Federal do Maranhão - Brasil

DAMATTA, Roberto. Fé em Deus e pé na tábua: ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco. 2010. 191 p.
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''Os estudos apontam que é comum, em algum momento da vida do condutor, cometer deslizes. Quando se torna frequente, é uma questão de saúde pública e tem o nome, em diversas literaturas, de Road Rage. O Dr. Leon James separa em três níveis: impaciência, luta de forças e negligência. Os motoristas agressivos tendem a acreditar que sua perícia em condução está num nível superior às dos demais e acreditam não estar contribuindo para o caos do trânsito.
1.  Impaciência: não parar diante de placas ou sinais vermelhos, andar com velocidade acima do permitido, bloquear cruzamentos. São comportamentos que servem de estímulo aversivo para os outros condutores, e oferecem os menores riscos entre os três grupos.
2.  Luta de forças: impedir outros condutores de realizar conversões e mudança de faixa, bem como sair de outras vias, usar de gestos obscenos ou xingamentos para ameaçar outros condutores, ignorar a distância de segurança do condutor à frente e laterais. Estes sujeitos como “psicologicamente instáveis que acreditam estar fazendo um bem à sociedade, achando que os outros cometeram erros e precisam ser punidos, desejando punir aqueles que não têm uma conduta semelhante ao do condutor agressivo”. (JAMES)
3.  Negligência: duelos, velocidades muito altas, fechadas, andar em “zig-zag” sem sinalização, dirigir entorpecido ou alcoolizado, bem como os crimes que se utilizam do trânsito como atropelos e assaltos. É o último nível de agressividade''.
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''O comportamento agressivo no trânsito surge do histórico de comportamento agressivos em outras instâncias da vida do sujeito. As causas mais comuns da ocorrência são um ambiente físico que estimule a raiva e o estresse (como muito barulho, calor, engarrafamentos e a sensação de anonimato), baixa fiscalização (sentimento de impunidade) e um ambiente social que permite e até incentiva esse comportamento, como é o caso dos outros condutores, amigos e familiares do agressor. Segundo WAGNER & BIAGGIO (1996), a raiva é uma condição necessária para a agressividade em casos de luta de forças ou superior, mas não a determina – serve de sinalização. É comum achar em pesquisas correlações que implicam que sujeitos agressivos tendem a ser condutores agressivos (GUNTHER & MONTEIRO, 2006).
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É evidente a deficiência de educação humanitária nas escolas e educação para o trânsito, bem como a falta de acompanhamento psicológico nos centros de formação de condutores. Apesar do código de trânsito brasileiro prever educação para o trânsito, na prática ela não ocorre de forma eficiente''.
''Uma reversão do quadro atual, que é de aumento do número de condutores agressivos, é uma política que vise a valorização da vida cotidiana e que forneça diretrizes eficazes para a promoção do bem estar social. A escola, nesse sentido, pode auxiliar, com o investimento de projetos que ensinem as crianças, desde cedo – quando os traços agressivos costumam surgir – a uma conduta ética e pacífica. Quando não há instruções claras, prevalece a relação de poder em que o forte domina o fraco. A criação de programas sistemáticos e eficazes pode diminuir a cultura da agressividade, com propostas pedagógicas para refletir sobre a cultura automobilística – e a influência midiática sobre o poder que um carro exerce e sua real necessidade -, uma análise do próprio transitar nas imediações da escola, problematizando a relação interpessoal como um todo; educar para os sinais desde cedo e não somente na época da habilitação veicular – humanizar o automóvel, para que se perceba, não somente de maneira teórica, que máquina está a serviço do homem e não contra ele''.
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''A aprendizagem da condução veicular, no Brasil, consiste em um leve exame psicológico para atestar se o indivíduo é mentalmente apto a dirigir um veículo, testando a memorização, tempo de reação, coordenação motora e agressividade. Após êxito, matricula-se nas aulas teóricas que vão ensinar leis e condutas de trânsito para um posterior exame e, enfim, as aulas práticas. Após isso, o condutor recebe uma habilitação provisória que, ao menor deslize, é requerido que o sujeito repita o processo. Se o aluno não apresentar vontade ou nenhum desvio aparente de conduta, ele não receberá acompanhamento psicológico em nenhum momento durante a aprendizagem veicular nem será atestado, após esse um ano de testes, se ele ainda é psicologicamente estável para a condução. Esta é uma falha grave: um ano de direção é tempo suficiente para que este tenha contato com um ambiente que possa estimular a raiva e o estresse se já houver este repertório de comportamento e a falta de fiscalização adequada pode reforçar comportamentos transgressores e possivelmente danosos para o trânsito.
O que se pode fazer é modificar o modo como o CFC deve lidar com o aluno, bem como um diálogo possível com uma, também possível, educação para o trânsito na escola''.



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