REGRAS
INTRODUÇÃO - USE DADOS DAS ESTATÍSTICAS DO GRÁFICO E PROPONHA-SE A ESTUDAR AS CAUSAS DA VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO BRASILEIRO.
ARGUMENTOS - EM DOIS PARÁGRAFOS ESCOLHA ALGUMAS DAS CAUSAS DESSA VIOLÊNCIA.
(VOCÊ DEVERÁ CITAR O LIVRO DE ROBERTO DA MATTA.
CONCLUSÃO - FAÇA UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO.
- ''Roberto Da Matta, em parceria com João Gualberto M. Vasconcelos e
Ricardo Pandolfi, no traz uma análise aprofundada sobre os comportamentos e
atitudes vivenciados diariamente nas vias públicas das grandes cidades
brasileiras. Tendo como parâmetro uma pesquisa realizada sobre o trânsito na
capital do Espírito Santo, DaMatta aborda a questão do trânsito no Brasil,
aproximando-o com a discussão feita anteriormente no seu livro A casa e
a rua (DaMatta, 1997).
Roberto DaMatta observa como a rua, concebida dentro de um contexto
igualitário, aberto a todos, pode se tornar hierarquizada socialmente e como a
violência e a loucura dos condutores e pedestres têm crescido em decorrência
disso. Levando em conta a dicotomia entre os valores da casa e os da rua, o
livro considera o pressuposto de que, no Brasil, a utilização do carro como
principal instrumento de transporte é seguido por uma série de concepções
ligadas aos modelos aristocrático e individualista, personificados na ocupação
do espaço público realizado por dona Carlota Joaquina (p. 94), que recebia
reverência de todos que passavam pelas ruas ao ser levada em sua cadeirinha de
arruar, por escravos. Nos dias atuais, o carro faz com que os indivíduos se
protejam de contatos mais diretos com outros, mas por outro lado possibilita o
poder da liberdade e a consequência disso é um cidadão repleto de direitos e
vazio de deveres.
Analisando o trânsito como um sistema cultural, nos termos de Clifford
Geertz (1989), e afastando-se da ideia de produzir uma obra sobre engenharia,
ou sobre educação no trânsito, a proposta do livro é analisar os comportamentos
dos condutores, pedestres, (moto)ciclistas, levando em consideração a
dificuldade do brasileiro de cumprir leis, bem como a mentalidade hierárquica
que classifica objetos e pessoas como superiores ou inferiores, resultando
disso uma situação de constante conflito e tensão, num espaço que,
presumidamente, acredita-se ser de igualdade para todos.
Se no carnaval o brasileiro é visto em toda sua cordialidade como um
sujeito alegre e sem preocupações, no trânsito esse mesmo sujeito torna-se
agressivo e tem a necessidade de ultrapassar todos os obstáculos que estão na
sua frente (pedestres, ciclistas, semáforos etc.). No capítulo 2, intitulado
"Raízes da desobediência", DaMatta justifica essa carga de
desumanidade e a agressividade encontrada no trânsito considerando que o ato de
sair de casa, no Brasil, é algo dramático. Ao sair de casa, deve-se esquecer os
laços sociais pautados pela hierarquia e as normas familiares, e encarar a rua
como um local perigoso e repleto de riscos, e onde só Deus pode tomar conta de
tudo e de todos.
No capítulo 3, "Receitas para enlouquecer: avaliações e julgamentos
do trânsito", a questão da falta do cumprimento das leis, tanto por parte
dos condutores quanto por parte dos pedestres, apresenta-se como interesse
principal de análise. O prestígio e o poder de liberdade que o carro oferece
aos seus usuários fazem com que o pedestre se torne a principal vítima desse
espaço, onde o carro deixa de ser um instrumento de locomoção para se tornar um
símbolo de superioridade social.
No capítulo "O carro é o motorista", demonstra-se como
atualmente o carro foi transformado em um objeto de desejo e como instrumento
de ascensão social. O cidadão motorizado tem prestígio de se deslocar
livremente, muitas vezes até mesmo sem carteira de habilitação, o que
proporciona uma sensação de privilégio em relação aos que não possuem um carro.
Desse modo, afirma-se que o carro importado, novo e em ótimas condições está no
topo da hierarquia do trânsito.
A dimensão referente aos sentimentos e emoções provocados no trânsito,
como estresse, agressividade e impaciência, pode ser entendida a partir da análise
do dilema do trânsito, onde se constitui uma contradição entre a concepção de
rua como um espaço construído para todos e indivíduos com uma mentalidade
marcada pela hierarquia aristocrática. Além disso, há no Brasil uma crença
compartilhada por condutores de veículos, motociclistas e pedestres: a de que
os problemas do trânsito estão relacionados a fatores externos - ausência de
estrutura física adequada de funcionamento das vias públicas. A partir disso
pode-se destacar a falta de conscientização em relação aos direitos e,
principalmente, aos deveres de cada um ao sair de casa.
''.Carolina Vasconcelos Pitanga*
Universidade Federal do Maranhão - Brasil
DAMATTA,
Roberto. Fé em Deus e pé na tábua: ou como e por que o trânsito
enlouquece no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco. 2010. 191 p.
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''Os estudos apontam
que é comum, em algum momento da vida do condutor, cometer deslizes. Quando se
torna frequente, é uma questão de saúde pública e tem o nome, em diversas
literaturas, de Road Rage. O Dr. Leon James separa em três níveis:
impaciência, luta de forças e negligência. Os motoristas agressivos tendem a
acreditar que sua perícia em condução está num nível superior às dos demais e
acreditam não estar contribuindo para o caos do trânsito.
1.
Impaciência: não
parar diante de placas ou sinais vermelhos, andar com velocidade acima do permitido,
bloquear cruzamentos. São comportamentos que servem de estímulo aversivo para
os outros condutores, e oferecem os menores riscos entre os três grupos.
2.
Luta de forças:
impedir outros condutores de realizar conversões e mudança de faixa, bem como sair
de outras vias, usar de gestos obscenos ou xingamentos para ameaçar outros
condutores, ignorar a distância de segurança do condutor à frente e laterais.
Estes sujeitos como “psicologicamente instáveis que acreditam estar fazendo um
bem à sociedade, achando que os outros cometeram erros e precisam ser punidos,
desejando punir aqueles que não têm uma conduta semelhante ao do condutor
agressivo”. (JAMES)
3.
Negligência:
duelos, velocidades muito altas, fechadas, andar em “zig-zag” sem sinalização,
dirigir entorpecido ou alcoolizado, bem como os crimes que se utilizam do
trânsito como atropelos e assaltos. É o último nível de agressividade''.
Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-do-transito/agressividade-no-transito-uma-abordagem-do-comportamento © Psicologado.com
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''O comportamento
agressivo no trânsito surge do histórico de comportamento agressivos em outras
instâncias da vida do sujeito. As causas mais comuns da ocorrência são um
ambiente físico que estimule a raiva e o estresse (como muito barulho, calor,
engarrafamentos e a sensação de anonimato), baixa fiscalização (sentimento de
impunidade) e um ambiente social que permite e até incentiva esse
comportamento, como é o caso dos outros condutores, amigos e familiares do
agressor. Segundo WAGNER & BIAGGIO (1996), a raiva é uma condição
necessária para a agressividade em casos de luta de forças ou superior, mas não
a determina – serve de sinalização. É comum achar em pesquisas correlações que
implicam que sujeitos agressivos tendem a ser condutores agressivos (GUNTHER
& MONTEIRO, 2006).
(...)
É evidente a
deficiência de educação humanitária nas escolas e educação para o trânsito, bem
como a falta de acompanhamento psicológico nos centros de formação de
condutores. Apesar do código de trânsito brasileiro prever educação para o
trânsito, na prática ela não ocorre de forma eficiente''.
Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-do-transito/agressividade-no-transito-uma-abordagem-do-comportamento © Psicologado.com
''Uma reversão do
quadro atual, que é de aumento do número de condutores agressivos, é uma
política que vise a valorização da vida cotidiana e que forneça diretrizes
eficazes para a promoção do bem estar social. A escola, nesse sentido, pode
auxiliar, com o investimento de projetos que ensinem as crianças, desde cedo –
quando os traços agressivos costumam surgir – a uma conduta ética e pacífica.
Quando não há instruções claras, prevalece a relação de poder em que o forte
domina o fraco. A criação de programas sistemáticos e eficazes pode diminuir a
cultura da agressividade, com propostas pedagógicas para refletir sobre a
cultura automobilística – e a influência midiática sobre o
poder que um carro exerce e sua real necessidade -, uma análise do próprio
transitar nas imediações da escola, problematizando a relação interpessoal como
um todo; educar para os sinais desde cedo e não somente na época da habilitação
veicular – humanizar o automóvel, para que se perceba, não
somente de maneira teórica, que máquina está a serviço do homem e não contra
ele''.
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''A aprendizagem da
condução veicular, no Brasil, consiste em um leve exame psicológico para
atestar se o indivíduo é mentalmente apto a dirigir um veículo, testando a
memorização, tempo de reação, coordenação motora e agressividade. Após êxito,
matricula-se nas aulas teóricas que vão ensinar leis e condutas de trânsito
para um posterior exame e, enfim, as aulas práticas. Após isso, o condutor
recebe uma habilitação provisória que, ao menor deslize, é requerido que o
sujeito repita o processo. Se o aluno não apresentar vontade ou nenhum desvio
aparente de conduta, ele não receberá acompanhamento psicológico em nenhum
momento durante a aprendizagem veicular nem será atestado, após esse um ano de
testes, se ele ainda é psicologicamente estável para a condução. Esta é uma
falha grave: um ano de direção é tempo suficiente para que este tenha contato
com um ambiente que possa estimular a raiva e o estresse se já houver este
repertório de comportamento e a falta de fiscalização adequada pode reforçar
comportamentos transgressores e possivelmente danosos para o trânsito.
O que se pode fazer é
modificar o modo como o CFC deve lidar com o aluno, bem como um diálogo
possível com uma, também possível, educação para o trânsito na escola''.
Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-do-transito/agressividade-no-transito-uma-abordagem-do-comportamento © Psicologado.com


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